Ainda

Por Nospheratt • May 31st, 2007 • Seção: Poesia em Prosa

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A vida é dura, muito dura. Viver é difícil. Todos os dias a tristeza, a profundidade da escuridão, a dúvida, a incerteza. O medo, o frio, a fome, o cansaço.

Mas ainda existe poesia; as canções melancólicas e serenas, a vapor nas ruas nas noites de inverno, murmúrios distantes. Ainda existem reencontros, lembranças, palavras que cruzam distâncias. Vozes do passado que ainda permanecem, momentos fugazes de inacreditável traquilidade; às vezes, por um segundo, ainda é possível acreditar que haverá futuro.

Já quase não é possível sonhar, mas às vezes ainda é possível dormir. E escrever poemas de esperança machucada, de fé alquebrada, de possibilidades quase impossíveis.

Cada dia nasce frio e oco como todos os outros dias frios e ocos; mas ainda existe o esquecimento momentâneo. E ás vezes ainda é possível sorrir.

Na casa velha e enregelada, ainda as pequenas plantas teimam em brotar, quase no coração do inverno. E a música ainda fala das pandorgas que se foram, dançando no vento de abril, sobre os campos de marcela. E a memória recorda outros outonos, outra casa, outra existência.

A beleza das pequenas coisas é tudo o que nos resta.


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Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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5 Comentários »

  1. Me resumo neste trecho:

    — “E a memória recorda outros outonos, outra casa, outra existência.”

    Completado por este outro:

    —”A beleza das pequenas coisas é tudo o que nos resta.”

    Gostei deste post.

  2. é a beleza da vida a pulsar!

  3. lindo seu texto! o que seria de nós sem a beleza das pequenas coisas da vida.. :)

  4. Que triste…

  5. Sarah: Eu também gostei. E gostei ainda mais que você tenha gostado. Você não tem blog?

    Miguel: :)

    Angelina: O que seria, realmente…

    Anônimo: Triste, sim. Mas há uma certa beleza na tristeza da alma, você não acha?

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