Continhos de Fadas Cretinas - Esperança
Por Nospheratt • May 21st, 2007 • Seção: Amor e Relacionamento
Era uma vez uma princesinha chamada Esperança.
Esperança era uma mulher apaixonada. Coisa comum em se tratando de princesinhas de conto de fadas, era vítima de uma terrível maldição: um amor que não lhe convinha. O objeto de seu amor, aquele que deveria ser seu príncipe encantado, não passava de ser um plebeu vagabundo, sem demasiado gosto pelo trabalho, mas com um gosto excessivo pela bebida e pela mulher alheia.
Esperança sofria com os defeitos de seu amor; frequentemente, sob os efeitos da bebida, o príncipe se voltava contra ela, descarregando sobre a pobre princesa seu desencanto com a vida. Frequentemente, Esperança encontrava rastros de encontros com outras mulheres nas roupas do príncipe.
Esperança lavava aquelas máculas, e tudo perdoava; sempre movida pelo nobre sentimento que lhe dava nome: a esperança. Esperança tinha esperança de que um dia seu príncipe mudaria; um dia, talvez não muito longínquo, o galã ingrato despertaria e veria a verdade. Quando esse dia chegasse, ele perceberia a enormidade do amor de Esperança, compreenderia o imenso valor de sua paciência, sua tolerância, sua submissão.
Nesse dia, a vida de Esperança por fim seria perfeita. Tranformado pelo amor, o príncipe trabalharia, esqueceria da bebida e das outras mulheres, e velaria por Esperança com o mesmo entusiasmo abnegado que ela lhe dedicava. Então eles seriam felizes para sempre.
Enquanto esse dia não chegava, Esperança se aferrava à um único pensamento:
“Ele vai mudar.”
E se matava de trabalhar para pagar as contas, limpava e cozinhava, lavava as nódoas de batom alheio das camisas do príncipe, disfarçava com maquiagem as manchas roxas que enfeiavam sua pele clara.
Os anos se passaram. O príncipe não mudou; mas um dia, quando Esperança já deixara para trás a flor de seus quarenta anos, ele foi embora.
Abandonada, trocada por uma moça que contava a metade de sua idade, Esperança viveu o resto de seus dias esperando. Inpossibilitada de negar seu próprio nome, sempre guardou a esperança de que o príncipe mudasse… e voltasse.
Mas o príncipe nunca voltou. E Esperança viveu sozinha, esperando, para sempre. Fim.
Moral da História
Demasiadas mulheres vivem como Esperança: na eterna esperança de que seu príncipe “vai mudar”. Imersas em uma fantasia criada por si mesmas, se negam à ver aquilo que é evidente: ele não vai mudar, pois não tem intenção alguma de mudar.
Pior ainda, se negam à ver o quanto essa relação é prejudicial à si mesmas. Esse tipo de relação sempre é prejudicial; seja pelo abuso psicológico, emocional ou físico do qual a mulher é vítima, seja porque a manutenção desse relacionamento a impede de encontrar um parceiro disposto a manter uma relação sadia e satisfatória.
Se você pensa com frequência “Ele vai mudar” ou “Quando ele mudar (inserte aqui descrição de uma situação perfeita e agradável)”; se você acha que seu parceiro/namorado/marido um dia vai perceber e valorizar tudo o que você faz por ele (embora ele não perceba nem valorize nada disso no momento); se você vive pensando nessas coisas, e tem certeza de que quando essas fantasias se tornarem realidade, tudo será perfeito e vocês viverão felizes para sempre…
Acorde!!!! Ele não vai mudar.
Dê-lhe um pontapé na bunda, e livre-se dele. Talvez ainda haja tempo para que você seja feliz para sempre, com um homem de verdade… numa relação de verdade.
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Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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“Os homens casam-se esperando que elas não mudem - e elas mudam.
As mulheres se casam esperando que eles mudem - e eles não mudam”
adorei adorei adorei!
Quando os homens encontram mulheres que não mudam, simplesmente, eles não sabem continuar, toda aquela chama picante e criatiava, tornam-se os mais adeptos da rotina…
Adorei esse blog.
Bom dia! Estou dando um ‘passeio geral’ pelos blogs relacionados à literatura, principalmente poesia e prosa. Gostei muito do seu blog. Vou adicioná-lo ao meu blog, bem como favoritá-lo no ‘blogblogs’, para que possa visitá-lo mais vezes. Quando puder, visite também meu blog, no endereço: [ http://poemasdeandreluis.blogspot.com ]. Sinta-se à vontade… a casa é sua,… e, gostando,… por favor, também adicione meu blog e ao seu ‘blogblogs’, ‘techinorati’ etc. Vamos tentar ampliar a rede de intercâmbio artístico-cultural, influenciando-nos e aprendendo mutuamente. Grande abraço!
Amei o conto da princesa Esperança.Quantas esperanças se perde na vida e ainda insistimos em acreditar nelas?
Lu: Porquê será que a gente insiste nessas besteiras?
Sarah:
É verdade. E muitas vezes, começam a desgostar e a se queixar justamente do que os atraiu, em primeiro lugar. Por exemplo: se apaixonaram pela mulher porque ela andava sempre bem vestida, com saias curtas e decotes insinuantes… e depois, querem que se vistam como professorinhas aposentadas, pra ninguém olhe pra elas. Tenha paciência!
Volte sempre, estou de volta e vou dar uma melhor atenção pra vocês! Promessa!
André: Obrigada, fico feliz que tenha gostado. Assim que puder vou visitá-lo!
lu maranhão: Insistimos em muita, muita coisa que não vale à pena ou não existe mais. Acho que às vezes a gente não sabe distinguir entre esperança, teimosia e burrice!