O Lar Como Trabalho Sagrado - Coisa de Mulher
Por Nospheratt • May 16th, 2007 • Seção: Casa e Festa
Acho que eu nunca falei sobre isso aqui, mas não sou feminista. Aliás, detesto feminismo; tanto quanto detesto machismo. O feminismo está baseado em certas premissas que vão contra minhas filosóficas filosofias de vida.
Mulher não é igual a homem. Nem deveria ser. É a maior furada essa história de querer igualar as mulheres e os homens; qual é a graça, qual é o sentido disso?
Eu ia dizer que todos os seres humanos merecem ser respeitados igualmente, sem distinção de raça, credo, idade ou sexo; mas isso também não é verdade. Tem muita, muita gente por aí que não merece sequer ser chamada de “gente”. A verdade é que o que não vale é discriminar ou desrespeitar alguém: mulher não merece respeito, os árabes são todos imbecis, os cristãos são fascistas. Tudo isso é idiotice. Uma pessoa que merece respeito e consideração, não deixa de merecer só porque seja mulher.
Agora, essa história do feminismo foi muito mal contada: não nos venderam só os “direitos iguais”; no pacote vieram junto as “obrigações iguais” e a “forma de ser igual”. Saímos de um buraco para cair em outro. De estar confinadas aos limítes do mundo feminino - casamento, castidade, maternidade, o cuidado do lar - passamos a ser forçosamente exiladas desse mesmo mundo feminino.
As características femininas passaram a ser inaceitáveis, se tranformaram em sinais claros de imbecilidade e fraqueza de caráter. Trocando em miúdos: se você não age, pensa e sente como um homem, você é uma fracassada.
A “liberação feminina” é uma grande piada. Disseram que “agora sim podemos fazer o que quisermos”; sempre e quando o que queiramos siga os moldes e modelos do mundo masculino. E a mulherada acreditou. E assim o faz: tentam o tempo todo esconder suas emoções, não depender de ninguém, ser tão boas no que fazem, quanto os homens com os quais competem.
Renegam de tudo o que seja intrínsecamente feminino: a sensibilidade, as lágrimas, a intuição, a necessidade de proteção, a sabedoria orgânica de pés descalços, o cuidado da casa, a cozinha.
Eu acho ridículo quando uma mulher me diz que não sabe lavar, não sabe passar roupa, não gosta de cuidar da casa. O “cuidar da casa” é uma característica biológica, antropológica: a fêmea da espécie cuida do ninho; as mulheres das cavernas ficavam na caverna, mantinham o fogo aceso, enquanto os homens saiam à procura do alimento.
Hoje em dia, cuidar da casa é coisa vista como degradante; ser dona de casa é simplesmente vergonhoso. Se você é uma “do lar”, em vez de aproveitar as possibilidades que o mundo lá fora oferece - trabalhar, competir, se estressar, ganhar dinheiro - você é retrógrada, reprimida, burra.
O que essas mulheres não vêem é que cuidar da casa, transformar uma casa em lar, é uma das ocupações mais nobres que se pode ter. Faz tempo, eu li num livro uma frase que até hoje me encanta: “Se transformar uma casa em um refúgio terreno para a alma não é um trabalho sagrado, então não sei o que é.”
É impressionante como o efeito que o lar - um verdadeiro lar, não simplesmente um lugar onde comer e dormir - tem sobre a alma, a conexão entre o lar e a felicidade são fatos ignorados pela maioria das pessoas.
Lar é refúgio, onde a gente se recupera das agressões e das feridas do “mundo lá fora”. O lar é um paraíso particular, onde se está à salvo, onde a familiaridade das coisas que nos rodeiam nos reconforta, onde se encontra descanso não para o corpo mas também para a alma.
Eu realmente acredito que a criação e a manutenção de um lugar assim é um trabalho sagrado; eu não só me orgulho de fazê-lo, como encontro prazer nessas atividades cotidianas.
Há muito mais para dizer sobre o assunto, mas vou continuar num outro post. Eu tenho a maldição de escrever posts longos, a sempre estou correndo o risco de aborrecer o leitor. Que coisa.
Enfim, e você? Como encara a questão do lar? Tarefa degradante ou trabalho sagrado?
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Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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trabalho sagrado.
mas tbm acho que no pacote do feminismo veio mta coisa boa para as mulheres. fui adolescente na zona norte do rio e tive que brigar com coisas muito chatas que hoje não mais aborrecem menina nenhuma.
Post simplesmente impecável, parabéns!!
Homens e Mulheres são diferentes, a natureza nos fez assim e é justamente isso que nos torna especiais. E viva a diferença e o respeito entre os sexos!!! Aliás viva o respeito por nossas diferenças!!! Claro que de vez em quando uma brincadeirinha ou outra não faz mal a ninguém =)
A Mulher e a Emoção.Com a emancipação da mulher, muitas coisas foram modificadas com relação a uma parte fundamental e essencial do caráter feminino: a emoçãoNos dias de hoje, a sociedade civil em todo o mundo, observa com preocupação o aumento da frequência dos crimes violentos, dos suicídios e abusos de drogas por parte das mulheres, sem falar de tantos outros indicadores de desequilíbrio emocional.Creio que, no afã de tentar obter a igual oportunidade dos homens, nós mulheres, nos esquecemos um pouco da capacidade fundamental do coração – a emoção e a capacidade inter-pessoal. Estas capacidades são tão essenciais quanto aquelas intelectuais, pois servem pra equilibrar a racionalidade.A mulher se parece muito com o planeta Terra: 80% de flexibilidade, ou seja, água/emoção. Não podemos negar, por mais que queiramos nos aproximar do sexo forte.Alguns anos atrás, a mulher era a parte pacificadora da sociedade, porque dava uma maior atenção à competência social e emocional, e sendo assim, havia mais capacidade de gerenciar a própria cólera em relação a si mesma e aos outros. Hoje, a mulher, com um rítmo de vida muito mais frenético, se encontra no dever de se confrontar com uma nova realidade que possa criar uma compatibilidade entre razão e emoção, porque a racionalidade é guiada pelo sentimento. Afirmava Daniel Goleman: ‘Quanto mais intenso for o sentimento, muito mais dominante é a emoção – e mais eficiente a racionalidade’
Leila: Você tem razão. Eu concordo em que muitas coisas boas vieram; mas ainda acho que a “liberação feminina” não é toda essa maravilha que nos querem fazer crer. Gostei do seu contraponto, com certeza vou escrever mais sobre isso no futuro.
Volte sempre, adoro leitores que não tem medo de expressar suas verdadeiras opiniões, mesmo que sejam contrárias às minhas!
Moacir: Obrigada! Brincadeirinhas são ótimas, sempre e quando sejam feitas com o respeito que você mencionou, né?
Ely: Ainda estou te devendo uma resposta ao teu email. Juro que assim que puder, eu respondo!!
Amei seu comentário-post, você tem talento pra escrever, hein? Pena que seu blog tem só um post em português, e eu não entendo italiano… Er… acabo de ver que você tem outro blog, em português… Vou lá dar uma espiada, a gente conversa depois, ok?