A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres

Por Lu Monte • Dec 21st, 2007 • Seção: Colunas, Praticamente

A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres

Começa hoje o verão. Sua companheira inseparável, a exacerbação da neurose pelo corpo perfeito, está em ação há meses, desde os primeiros dias quentes da primavera. O aumento da temperatura traz os biquínis, minissaias e barrigas de fora e transforma gordurinhas, estrias e celulite em monstruosidades inaceitáveis. Mulheres bonitas olham-se no espelho e resmungam “estou gorda”. A procura por academias de ginástica e tratamentos estéticos milagrosos - quase sempre pouco eficazes - dispara. Para ficar com “tudo em cima”, vale qualquer sacrifício: desde comer apenas alface até afundar-se em anfetaminas.

A mídia tem uma culpa enorme na formação e cultivo diário dessa neurose. Da TV Globo às produções de Hollywood, valoriza-se a beleza magérrima. Formas arredondadas são quase um crime. As capas de revista estampam corpos longilíneos, barrigas chapadas, peles perfeitas. O photoshop conserta tudo, criando mulheres feitas de pixels.

O reality show Brazil’s Next Top Model, exibido nos últimos meses, brindou a audiência com comentários ultrajantes sobre a “gordura” das candidatas - todas magras e lindas, diga-se de passagem. Na última quarta-feira, dia da grande final do programa, o representante de uma agência de modelos falou, sobre uma das finalistas: “ela está acima do peso, não dá pra ver a ossatura”. Entenda-se: não dá pra ver o esqueleto sob a pele. Enquanto os ossos não saltam, a mulher não é considerada bonita.

Que padrão de beleza cruel é esse?!

Na tentativa de denunciar essa barbárie, Augusto Cury escreveu A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres, uma bela história de ficção que emociona e conscientiza. A protagonista é Sarah, uma adolescente de 16 anos, filha da editora de uma grande revista de moda. Na busca por uma beleza irreal, Sarah perde a vontade de viver, destrói sua auto-estima e sua saúde.

A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres A ficção de Augusto Cury é baseada em dados reais sobre transtornos de alimentação e outros males que têm relação direta com os estereótipos de beleza, inalcançáveis para a maioria das mulheres. Relatando o que chama de síndrome do Padrão de Beleza Inatingível (PIB), Cury aponta diversos culpados para o fenômeno: a indústria de roupas, os fabricantes de cosméticos, as revistas e seus anunciantes. Mídia e indústria frustram cotidianamente a auto-imagem feminina, muitas vezes sem que as mulheres se dêem conta.

A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres não é um livro de auto-ajuda, mas serve de inspiração e alento para as mulheres oprimidas por padrões torturantes impostos por gente que pouco se importa com o seu bem-estar, desde que os lucros sejam crescentes. Uma ótima leitura de verão para que você passe a enxergar-se como um ser humano completo, não apenas um corpo avaliado em centímetros e quilogramas.

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3 Comentários »

  1. Bela sugestão de leitura, Lu!
    Lá no Laboratório (site a ser lançado, um dia…:D) também teremos uma campanha pela beleza - ao vivo e a cores. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena…

  2. Lu, adorei o tu texto, é a primeira vez que entro no blog e gostei bastante!
    Me identifiquei por que ,ao ir em uma agencia de modelos +- um mês atras ,fui orientada a emagrecer 5 quilos para poder participar de uam seleção de modelos! 5kg em menos de um mês!!! bom,só pra esclarecer ,eu fiz dieta pra engordar um tmepo atras, eu tinha 48,5 kg e agora estou com 54 .Achei um absurdo a proposta da agência e desisti da seleção.É impressionante o modo como eles impoem as modelos esses padroes absurdos.

  3. Ótimo texto! Mulheres feitas de pixels foi muito bom! rs…
    Pior que não dá para entender a sociedade, exigem ora mulheres magras, ora mulheres “gostosas”. Eu sou magrela, e mesmo assim as pessoas me irritam por eu ser magra! E outros são irritados por estarem acima do peso, sinceramente, não entendo! Bjos

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