O Cavalheirismo e a Diferença entre Homens e Mulheres
Por Liliana Pellegrini • Dec 20th, 2007 • Seção: Opinando
Homens e mulheres são diferentes e ponto.
Isso não quer dizer que um não possa fazer tudo que o outro faz, exceto o que as diferenças biológicas do gênero impedem, é claro. Mas de resto tudo que um homem faz, a mulher pode fazer e tudo que uma mulher faz, um homem pode fazer.
Tudinho.
Tem muita gente que ainda não se tocou disso. Tanto algumas mulheres como alguns homens ainda acham que há diferenças nas capacidades quanto ao gênero.Mas isso está mudando rápido.
E às vezes para demonstrar que certas mulheres são capazes de fazer coisas que antigamente só homens faziam, elas se comportam com modos de homens. A mesma coisa acontece com homens fazendo coisas de mulheres, ficam feminilizados demais.
E qual seria o equilíbrio?
Na medida que cada um sabe de suas capacidades e potencialidades, ela ou ele as realiza de forma de acordo com seu jeito próprio. Não estereotipado, caricaturado. O jeito da pessoa. Tranquila consigo mesma. Sendo mulher ou homem e exercendo sua feminilidade ou masculinidade sem travas, medos ou preconceitos.
Por isso que eu, como mulher, gosto de homens cavalheiros.
Eu sei que eu posso fazer tudo que um homem faz. Estou tranquila com isso. Na falta de um homem eu me viro muito bem: pago o restaurante, abro a porta do carro, carrego pesos, arrumo o carro, conserto coisas, prego quadros, troco lâmpadas, dirijo o carro, uso a furadeira, cavo buracos, discuto com os empregados do sítio, resolvo problemas com bêbados, me defendo na rua, falo grosso e muitas coisas mais. Posso dizer que sou mais homem que a maioria dos homens que já conheci. E, ao mesmo tempo, sou bem mulher, bem feminina.
Eu não tenho que provar nada disso para ninguém. Eu já sei disso. Eu faço tudo isso quando necessário.
E os homens? Como ficam eles ao se relacionarem com mulheres tão completas?
Da mesma forma que nós ficaríamos ao nos relacionarmos com homens completos que não precisariam de nós.
Aí entra o Cavalheirismo. Atitudes e gestos sociais de gentileza, respeito e deferência de homens para mulheres, quando homens podem ser homens e mulheres podem ser mulheres na boa.
Como eu disse no início, homens são diferentes de mulheres, não dá para negar. Mas podemos fazer as mesmas coisas, também não dá para negar. Então como exercer essas diferenças de forma saudável no dia a dia?
O homem sendo cavalheiro expressa o que ele tem de melhor na sua masculinidade. E a mulher aceitando esta deferência não está sendo diminuída, está sendo mulher.
O texto soou antiquado?
Bem, é a minha opinião.
Eu gosto quando abrem a porta do carro para mim. Eu gosto quando carregam meus pacotes. Eu gosto quando andam do lado de fora da rua. Eu gosto quando pagam a conta do jantar. Eu gosto quando colocam o paletó em meus ombros para eu não passar frio. Eu gosto que me dêem passagem primeiro na porta e abram a porta para mim. Eu gosto que me dêem o braço quando eu estiver com um salto muito alto num piso ruim de andar. Eu gosto de ser tratada como uma dama, uma princesa, como uma rainha.
E isso não vale apenas para os homens que nos relacionamos mais intimamente. Vale para qualquer homem. Para aquele que dá lugar para eu sentar. Para aquele que ajudou a trocar meu pneu na rua. Para o que segurou a porta do elevador.
Viva o cavalheirismo!
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Liliana Pellegrini é médica e blogueira, já fez um monte de coisas, já viveu muito, já foi para um monte de lugares e já viu quase de tudo.
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Um bom texto, Liliana. Pena que muita gente desinformada talvez ache que o que você quer é antiquado. Pobres tolos!
Para estes, eu recomendo assistir o filme “Vem dançar” (Take the Lead), com o Antonio Banderas. No filme, o Banderas faz o papel de um professor de dança que se voluntaria a ensinar em uma escola de adolescentes rebeldes. Seria apenas mais um típico filme clichê se não fosse o fato de ser baseado em uma história real. O personagem buscou mostrar aos alunos que dança e cavalheirismo, por mais que se diga, não estão fora de moda. E, para os garotos, que é o melhor jeito para seduzirem e encantarem as garotas…
Eu poderia ter escrito isso.
Bjs
Pessoalmente acredito que existem 2 tipos de pessoas gentis… aquele que faz para simplesmente “fazer média” e aquele que realmente é um “cavalheiro”.
Por exemplo: uma pessoa que abre a porta do carro no primeiro encontro está sendo cavalheiro, mas com 99,999% de chances de ele estar fazendo isso para mostrar que é um cavalheiro… a mesma coisa quando ele tira a cadeira da mesa para ela sentar e ao pagar a conta.
Ele estará fazendo média com a mulher… Mas isso não quer dizer que a pessoa não seja gentil.
Eu tenho um teste simples para ver se a pessoa é realmente gentil no 1o encontro: Veja como ele trata as outras pessoas. Veja se ele agradece o garçon pelo menu, ao manobrista pelas chaves, etc… pq isso ele não dá para encenar… isso vem de berço. Se ele tratar grosseiramente o manobrista e te abrir a porta, melhor voltar de taxi…
Liliana, eu associo cavalheirismo e gentileza ao amor. Não necessariamente ao “amor de paixão”, mas ao amor zêlo, cuidado, desejo de que outro fique com o melhor de si; amor de verdade, que faz para o outro antes de pra si mesmo. Coisa rara não apenas nos homens da atualidade, mas na humanidade contemporânea. Pense em como você provavelmente trata seus pais ou filhos (e se vc não os tem, pense em como os trataria se os tivesse) e você saberá exatamente do que estou falando.
Outro dia passei os olhos num programa infantil (um seriado para adolescentes) q passa numa das emissoras de TV a cabo q temos em casa. Meu filho costuma assistir esse programa, q é protagonizado pela irmã da Britney Spears. Numa determinada cena, o irmão mais novo da personagem, q deseja se aproximar de meninas, passa a andar com um rapaz mais velho q é o tipo “maneiro” - mas q, ao tentar marcar uma ida ao cinema com o garoto e duas meninas, as trata como objeto, de uma maneira meio q “machona”, até q o pequeno dispensa o “amigo”, consegue sair para o programa (um cinema) com seu par desejado, e o tal fica sem o par, reclamando de sua postura.
Às vezes observo q esse comportamento, q chamamos “cavalheirismo”, infelizmente, está desaparecendo ou, como já apontaram acima, restringe-se aos momentos de “conquista” da maioria dos homens. Pior - e tenho certeza q vc concordará comigo, Li -, muitas moças, ao contrário do q descrito no programa infantil q comentei, gostam desse comportamento nos rapazes (q chega ao absurdo de tratar mal mesmo as mulheres).
Penso q devemos incentivar nos nossos filhos, através do diálogo e exemplos, q sejam gentis e, neste caso, cavalheiros. Não só para ser aceito pelas moças, mas para, principalmente, entenderem q educação, gentileza e qualidades do mesmo quilate são características de homens (e mulheres) de Bem.
Texto perfeito! Quantas mulheres já vi negando o cavalheirismo e o romantismo! “Odeio ganhar flores, se alguém vier com um buquê eu taco na cara!”. Detalhe que hoje essas mesmas mulheres brilham quando ganham flores, mesmo que só uma rosa…
Deixar que o homem pague a conta ou abra a porta não é se diminuir, não é ir contra a luta passada (e atual) de liberdade feminina. Eu não queimaria meu sutiã, nem brigaria com quem se oferecesse para carregar algo pesado simplesmente para dizer que não preciso dos homens, que sou auto-suficiente! Bjs
Liliana, é a primeira vez que ouço isso com todas as letras vindo de uma mulher. A maioria sente assim, mas nunca vi expresso de forma tão direta. Perfeito, ainda mais com a dica do “andar do lado da rua”. Isso é raro, aprendi com minha ex.
Vou citar você no próximo post do nao2nao1, ok?
Abração e feliz 2008!
É… o fato é que se eu parar pra ajudar uma mulher a trocar o pneu ela vai achar que tenho segundas e terceiras intenções.
e não vai aceitar.
Eu tô muito por fora da realidade. Pelo menos todas as mulheres que conheco mais intimamente assim como eu, procuram homens que sejam cavalheiros e cuidadosos e nao encontram. Nunca conheci alguma que reclamasse disso.
Uma das coisas que mais me encanta em alguém é a forma como ela me trata, isso é muito importante. E como trata os outros tbm, essa dica do primeiro encontro é batata, eu uso muito , nao só pra relacionamentos afetivos, pra qualquer situação. Sempre presto atenção em como o outro trata alguem que naquela momento não seja interessante pra ele. Sempre dá certo.
eu nao entendo muito dessas coisa eu estou um pouco por fora deste tipo de assunto. mas pretendo estudar mais sobre este asunto e ter uma explicação a mais sobre este tipo de acontecimento