A Busca da Normalidade

Por Debora Rocco • Apr 22nd, 2008 • Seção: Caldeirão da Bruxa

A Busca da NormalidadeHá uma doença se espalhando rapidamente por aí; esta enfermidade leva os seres humanos a desejarem ser “normais”.

Porém este objetivo, ainda que pareça simples de ser atingido, está longe disso; as pessoas “normais” são bonitas, alegres, divertidas, são muito sociáveis, e carregam o êxito embaixo do braço.

Este ser, que supostamente está sempre de bem com vida, não fala de problemas, mesmo que os tenha, busca ser aceito, vivendo de acordo com padrões impostos por outros, que se não consegue cumprir, terminam fazendo-o ficar doente de angustia.

Esse terrível sentimento de não preencher as expectativas da sociedade na qual vive, gera as doenças da moda: bulimia, ataques de depressão - que normalmente se tornam crônicos; ataques de pânico - doença cada vez mais comum; anorexia, obesidade, etc.

A verdade é que nada nem ninguém em particular nos obriga, ou nos impõe estas coisas, mas sim, somos nós mesmos que damos um poder superior à comunidade com a qual convivemos, de uma forma ou de outra. E é esta comunidade que nos apresenta modelos de comportamentos, que se não são seguidos, “marcam” a pessoa como anormal, e ela não é aceita dentro dos círculos nos quais se desenvolve sua vida.

Isso leva a grande maioria a fazer o impossível por se encaixar nesses modelos, ou a adoecer por não poder fazê-lo. Esta busca da “normalidade” é muito nefasta, levando-nos a querer ter mais do que precisamos, e isso fomenta a inveja.

Penso que os seres que sempre admiramos, são aqueles que têm o valor e a coragem de viver pelos seus próprios moldes e padrões, sem se importar com o que a sociedade exige.

Não dão bola para a cor da moda, mas sim para aquela que lhes fica melhor; não se importam com o comprimento das calças, ou das saias, se são justas ou folgadas, mas sim com o conforto que a roupa lhes proporciona.

Saem de passeio aos seus lugares preferidos, mesmo que não seja o barzinho da moda, ou o lugar mais caro, e frequentado por pessoas “in”.

Sofrer para tentar aos 40, ter o corpo de uma menina de 20, usar as roupas que são vendidas para elas, querer ter um físico atlético, quando o meu natural é ser cheinho; ou querer tirar aqueles quilos a mais, ou ganhar alguns, quando minha natureza é exatamente o contrário; são coisas que só nos levam a viver as ilusões que nos são vendidas todos os dias, das mais diversas formas.

Essa consciência de querer ser igual, de ser “normal”, leva as pessoas à infelicidade; pois a felicidade está em ser autêntico e original.

A felicidade está em se livrar de toda e qualquer coisa que não tenha nascido de sua alma, de suas lembranças, daquilo que você aprendeu, e que soma o todo que você é: Um Ser único no universo, capaz de ser admirado e digno de ser amado.

Então… seja o que você é, melhore os pontos que acha devem ser melhorados, reafirme aqueles que já aprovou, e não se deixe massificar, nem tiranizar por modelos sociais que não foram feitos para você, mas sim para alguns poucos ganhar muito dinheiro, através da insegurança que gera o desejo de ser “normal”.

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Debora Rocco é uma Sacerdotisa da Deusa. Sê-lo implica numa grande responsabilidade: propagar o Amor e o conhecimento pela Mãe Terra, proporcionando a todos os que assim o desejarem, a oportunidade de aprender os Antigos Mistérios da Deusa, colaborando dessa forma com a evolução da Humanidade e do Planeta como um Todo.
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3 Comentários »

  1. Concordo. E isso é o que Nietzsche chama de mentalidade de rebanho. É uma pena, mas isso está longe de mudar.

  2. Bruno,

    Conheço bem essa mentalidade, e nunca pude me encaixar nela; sempre fui “diferente” e quando era adolescente foi mais que complicado, sentir-se rejeitada por não ser “normal”.

    Mas o tempo passou, e aos poucos aceitei (primeiro eu) que não era “normal”, para que depois os outros me aceitassem como sou.

    Os Hopis, uma tribo americana que faz parte da tradição dos Anazasi, diziam em sua sabedoria, sobre este assunto, que “para podermos colaborar no aprimoramento da “tribo”, primeiro é preciso saber o que somos realmente, e somente depois disso poderemos exigir o nosso sagrado direito de ser um ente individual, e com características próprias dentro do Circulo que nos rodeia”

    Então… a ideia é saber o que somos, e certamente os outros nos aceitarão.

  3. Gostei do seu blog. Dê um salto ao meu. Devemos ter afinidades.

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