De Amador Para Profissional

Por Liliana Pellegrini • Apr 24th, 2008 • Seção: Opinando

De Amador Para ProfissionalÉ tão difícil associar trabalho a prazer…

A maioria das pessoas cresce com a noção que trabalho tem que ser algo sofrido, uma obrigação, que não deve dar alegria além do holerit no fim do mês (e que geralmente é bem inferior ao que desejamos).

Ou seja, trabalho não é para ser prazeiroso.

E quando a gente faz alguma coisa que a gente gosta, se dedica por prazer e pura satisfação pessoal, que nos faz verdadeiramente feliz e de repente esta coisa pode vir a se tornar fonte de renda?

A maioria das pessoas empaca.

Justamente porque não concebe que aquilo que a deixa tão feliz e é tão fácil e prazeirosa de fazer pode ser aquela coisa horrorosa chamada “trabalho”.

Então é muito comum uma pessoa ter um talento, ter uma qualidade, saber fazer uma coisa que só ela ou poucas pessoas fazem e ter uma incapacidade de valorar essa coisa em termos financeiros, se profissionalizar de verdade.

Acabam não cobrando pelo seu talento, pelo seu conhecimento, pelo seu tempo gasto, pela simples razão que não podem acreditar que aquilo pode valer algo para alguém já que “para mim é tão fácil, tão simples, tão gostoso”.

Ficam com vergonha de cobrarem por terem prazer com o “trabalho”.

Essa é a verdade.

Vergonha, incômodo, sem jeito, podem chamar do que quiserem.

De Amador Para ProfissionalO que tem que mudar nessas pessoas é a idéia que trabalho pode ser bom e gostoso e o conhecimento, o talento e principalmente o tempo que cada um tem vale dinheiro.

Uma vez entendendo que seu conhecimento e seu tempo valem dinheiro E podem ser fonte de prazer também, certas coisas que se faziam de graça passam a ser cobradas e valorizadas de forma diferente.

E é assim que se passa a ter uma postura profissional em relação àquilo que antes era amador: dar o valor correto e real do que se faz.

Cada um de nós deveria saber quanto vale nossa hora de trabalho.

E é muito fácil calcular isso: pode-se fazer uma pesquisa entre profissionais da mesma área e do mesmo nível de expertise; pode-se estimar um salário mensal desejado e dividir pelas horas/dia úteis; pode-se chutar um valor da sua cabeça. A forma que se calcula quanto vale seu trabalho depende apenas de você.

Uma vez tendo uma postura profissional, apresentamos nosso orçamento.

É quando dizemos: meu trabalho vale tanto. Você quer pagar? Você me quer como profissional?

A rejeição de um cliente é outra razão dos amadores não se tornarem profissionais.

De Amador Para ProfissionalQuando você estipula um valor pelo seu trabalho, ele pode não ser aceito pela outra pessoa.

E podemos entender isso de várias formas: desde que a pessoa não tem o dinheiro para nos pagar até “Você não vale isso que você cobra” ou “Como você ousa me cobrar por uma coisa que te dá tanto prazer em fazer?”.

O profissional deve estar seguro de seu valor, cobrar um preço realista e estar preparado para rejeições. E nunca duvidar que ele merece o que cobrou.

Isso é ser profissional.

© Deusario.com. Todos os direitos Reservados.
A cópia e reprodução não-autorizada deste texto está expressamente proibida.
Plágio é CRIME!

Liliana Pellegrini é médica e blogueira, já fez um monte de coisas, já viveu muito, já foi para um monte de lugares e já viu quase de tudo.
Email | Mais Liliana Pellegrini | Todos os textos escritos por Liliana Pellegrini

4 Comentários »

  1. É, concordo com você Liliana, mas admito que eu muitas vezes sofro desse mal. Não por não saber quanto vale o meu trabalho, mas por muitas vezes simplesmente não cobrar, sei lá, de vez em quando realmente parece um insulto. Faze o que. Acho que você está certa de qualquer maneira.

  2. Junte a tudo o que você falou as pessoas que acham que o “amigo do sobrinho do primo do seu cunhado” faz a mesma coisa que você, que se preparou e estudou para ter a profissão, cobrando muito menos.
    Mas eu concordo, nada contra ter prazer com o que se trabalha. Ao contrário, mesmo quem não tem a sorte de trabalhar exatamente com o que gosta, deveria procurar os aspectos prazerosos do que faz. Assim, a atividade seria menos insuportável.

  3. Liliana,

    Sempre ando as voltas com clientes que tem esse problema, não comigo, mas com os clientes deles.
    Eu nunca tinha pensado nesta questão dessa forma: de amador a profissional.
    O Bruno colocou a questão de “simplesmente não cobrar, por não saber quanto vale o trabalho”, e o Enio sobre os que dizem que “estudaram para fazer o mesmo que a pessoa que é amador”, e eu digo ainda que há os que se “aproveitam”, de quem não é “profissional” pelo simples fato de não ter um diploma, mesmo que muitas vez a qualidade de seu trabalho é infinitamente melhor.

    É mesmo uma situação complicada, mas que em definitiva que depende da postura de cada um em relação a si mesmo, como você falou no final do post.

    Beijos!

  4. Ola, gostei de ler este artigo e de facto nao tinha essa visao, mas penso que as suas palavras estao certas. Ha pessoas com dons, que nao cobram por outras pessoas acharem que fazem aquilo como quem anda de bicicleta, ou ainda porque muitos sao inseguros e pensam que so com X diplomas (a obrigatoriedade de apresentar um diploma para confiança do cliente ainda é muita tambem) conseguem ser profissionais.. mas uma coisa é certa, se a pessoa nao usar o seu tempo para ajudar os outros com os seus dons, porque nao se pode sustentar com caridade e tem de trabalhar durante todo o dia, entao ai esse dom nao é aproveitado e muitas vezes é esquecido na vida da pessoa (nao gosto dizer que desaparece, porque creio que sempre existirá lá mas nao sera usado, desenvolvido, explorado). E assim, mais vale cobrar o que o cliente acha que merecerá o profissional pelo trabalho efectuado, que por vezes, melhorará e muito a sua vida (até o mais pequeno aspecto).

    Adorei mesmo artigo!
    bjs

Comente! Opine! Desabafe.

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>