Ousar é o verbo. Coragem o substantivo. Hoje, sempre, os advérbios.
Nunca pensei em mim mesma como uma pessoa ousada. Aliás, esse é um conceito bastante “demodé” hoje em dia: qualificar alguém como ousado.
Esse termo nos remete à épocas passadas, quando se usavam palavras como galhardia, cavalheirismo, casadoira e fósseis afins.
E no entanto… procurando um ângulo para este texto, percebi que sim, sou uma pessoa ousada. Tanto no sentido positivo como no sentido pejorativo da palavra – dependendo do ponto de vista de quem me observa.
O que me levou do microcosmo – eu – ao macrocosmo – a sociedade, a humanidade. Quanto de nós se perde por falta de ousadia?
Mas primeiro vamos definir o que é ousar. O dicionário diz:
Ousar v. tr., atrever-se a;
ter a ousadia, a coragem de;
empreender, abalançar-se.
E ainda:
Ousadia s. f., qualidade do que é ousado;
ato audacioso;
atrevimento;
destemor;
arrojo;
coragem;
audácia;
galhardia.
Empreender, atrever-se a; ato audacioso, destemor, coragem. Palavras grandiosas, muito distantes do nosso dia-a-dia, não é? Não deveria ser assim. Retomo minha pergunta:
Perdemos oportunidades; não ousamos tentar, por medo de errar. Perdemos afetos; não ousamos amar. Perdemos pessoas; não ousamos dizer “eu te amo”, “você é importante”. Perdemos descobertas; não ousamos experimentar coisas novas.
Perdemos tempo; não ousamos dizer não, nem sim. Perdemos personalidade; não ousamos “sacudir o barco”, dizer o que realmente pensamos. Perdemos vida, por que não ousamos viver. Sem uma certa dose de ousadia, a vida nada mais é do que um tedioso corredor da morte.
Há que se diferenciar ousadia de comportamento impensado (e até mesmo estúpido). Ousar é uma arte. Se você está pensando que ousar é dizer umas quantas verdades ao seu chefe, sem pensar nas consequências, está muito enganado!
A ousadia frutífera tem dois pilares: a coragem e a inteligência. Por tanto, não venha se queixar se acabar jogando fora seu emprego, inspirada no meu texto!
Quando se trata de ousar, estamos falando de dar um passo em direção ao desconhecido, e o medo quase sempre se faz presente – se você tem um mínimo de bem senso e instinto de auto-conservação, claro. Aqui entra em cena um famoso clichê-verdade: coragem não significa não sentir medo, mas seguir em frente apesar do medo.
Nem todo mundo tem capacidade para isso. A covardia, o comodismo, a mediocridade, são moedas correntes na nossa sociedade. Aprendemos desde cedo a “deixar pra lá”, a escolher o caminho mais fácil, a baixar a cabeça, a seguir a opinião da maioria, a “encaixar”.
Somos ensinados a permitir que a atração natural que sentimos pelo que é prazeiroso, bloqueie nossa aceitação de experiências menos agradáveis. Rejeitamos a mudança porque ela nos causa insegurança. Concordamos com o outro, com o único intuito de evitar o confronto. Evadimos a todo custo qualquer tipo de problema ou desconforto; vivemos no que eu chamo de “mentalidade de boiada”.
A busca do prazer acima de todas as coisas, e a rejeição de tudo o que não produz prazer, é um estágio infantil da psicologia humana.
Após uma certa idade (que eu localizaria nos anos que transitam entre o final da adolescência e o começo da idade adulta) o ser humano deveria amadurecer, e aprender que a vida é mais do que somente prazer.
A partir daí é que a arte de ousar pode ser exercida com consciência, de forma produtiva e frutífera. As crianças ousam por instinto; por necessidade de conhecer o mundo que as rodeia e estabelecer seus limites; por completa ignorância dos riscos inerentes aos seus atos.
E aí temos outra diferença, que expressa o quanto uma pessoa cresceu e amadureceu. A criança ousa para saber quem é. O adulto necessita saber quem é, para poder ousar.
Explico: somente sabendo quem você é – quais são suas fortalezas e debilidades, suas virtudes e defeitos, seus princípios e expectativas, quê coisas são importantes para você – poderá definir com propriedade o que realmente deseja, quanto está disposto a arriscar, o que é inaceitável, e de quais coisas está disposto a abrir mão.
Baseando-se nessa claridade, é que se pode ousar, não com segurança (o que seria uma incongruência) mas com consciência.
Lembre-se: ousar é um risco, uma aposta; não há garantias, é impossível ganhar sempre. Perder faz parte do jogo. Você decide quanto quer arriscar.
Vem por aí: o Amor e a Ousadia. Não perca!
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Plágio é CRIME!
Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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Nospheratt : É o nome de uma flor…
Adorei seu texto. Perfeito. Este é um texto para toda mulher ler e se perguntar se existe um mínimo de ousadia em sua vida, ou se conformou em ser a mesma de todos os dias.
Nosph, ao ler esse texto lembrei de um vídeo publicitário muito bom que vi no youtube.
“Atreve-te”: http://www.youtube.com/watch?v=DlnX3BKwxyg
Anny: Obrigada. A gente anda sempre tão atarefada, cansada e distraída que acaba perdendo muitas coisas – e as vezes até perdemos nós mesmas no caminho, né?
Um brinde pela ousadia!
Bia: Inda não saiu o post com esse vídeo, mas vai sair já, já. Deusario está novamente navegando à todo vapor!
Nossa! Perfeito o seu texto, a sua reportagem. E confesso: senti mesmo por um minuto vontade de jogar tudo para o alto! Pena que nem sempre isto é possível. Isso se chama racionalidade, as vezes deixa-se de ousar um pouco mais por pura racionalidade. É a famosa perguntinha que vem à mente começada por “E se…” Isso é um perigo! Faz com que desistamos de tudo o que é ousado. Acredito que a maioria prefere ficar na segurança monótona de suas vidinhas comuns, mas ousar é muito bom! Eu confesso de novo: gostaria de ser mais ousada!
Jaqueline: Obrigada! Não é preciso necessariamente jogar tudo para o alto para ser ousado. Se você quer ser mais osada, comece devagar.
Enfrente alguns medos menores, faça algumas coisas de forma diferente – nem que seja voltar pra casa por um caminho diferente, ou pentear os cabelos de outro jeito.
Com o tempo, vai se sentir mais segura, mais confiante, mais ousada. Só tome cuidado para não agir de forma irreflexiva – como eu disse no texto, ousar não significa fazer qualquer coisa que nos passe pela cabeça.
Quando resolvi virar a esquina e escolher outro caminho fui criticada.Fiz-me surda e continuei!
A ousadia misturada ao otimismo deu-me o combustivel certo para prosseguir!Ali estava eu aos 50 anos recomecando!Valeu e valera a pena sempre que nao haja remorcos ou sentimento de culpa.Parabens pela lucidez do texto!
duvida., se alguem pode responder.por que ousar, como ousar o que ousar.
josé flávio.
ceara, cidade taua.
o que ousar, como ousar por que ousar, até que ponto se pode levar a ousadia
jose flavio