Foto: Fernando Mafra, em CC, no Flickr
Eu soube do movimento To Write Love in Her Arms na Campus Party09, através do antenadíssimo Marco Gomes. Uma camiseta. Um botton. Uma mensagem de amor que, não, não está numa garrafa – está na rede. O socorro é possível, diz o movimento no seu slogan. O TWLOHA (a sigla) me emociona e me comove por sua delicadeza – e por tocar num assunto tão importante quanto a depressão, focado principalmente em jovens, principalmente através da música. E dos canais que todos os jovens, no mundo todo, adoram: MySpace, Flickr, YouTube.
To Write Love on Her Arms é um movimento sem fins lucrativos dedicado a levar esperança e ajuda às pessoas que lutam com a depressão, o vício, automutilação e suicídio. TWLOHA existe para encorajar, informar e inspirar, além de investir diretamente no tratamento e na recuperação destas pessoas.
A Visão que está no site é uma carta de amor ao humano e às suas dores e flagelos. Um texto de uma compaixão rara… Confesso que me incomoda de forma absoluta a questão religiosa que aparece na menção da palavra Deus muitas vezes. E isso é desimportante. Importa mesmo é o movimento positivo, como diria uma amiga há muito sumida no mundo.
Tudo começou na primavera de 2006 (abril, por lá), quando um grupo de amigos criou a história “To Write Love on Her Arms”- que também era um objetivo, a crença de que uma vida melhor, menos dolorosa e livre do vício ou do suicídio era possível. Numa noite cheia de cocaína e álcool, ela se trancou no banheiro e escreveu, com a lâmina que usara para bater o pó: fuck up. Começaram vendendo camisetas para pagar o tratamento da amiga e, depois que criaram a página no MySpace descobriram que havia mais gente na mesma situação, gente que também precisava de ajuda e outras que queriam saber como ajudar seus amigos. Souberam de casos de suicídio, que contaram histórias nunca dantes compartilhadas. Resultado: havia algo maior lá fora, que precisava de atenção.
O resultado? Este grupo respondeu, em dois anos e meio, mais de 80 mil mensagens de pessoas em mais de 40 países. Levaram sua mensagem de esperança a shows, universidades, festivais e igrejas. E aprenderam que estas questões são humanas e não respeitam as fronteiras – acontecem no mundo todo.
E a gente sabe: depressão é tratável e existe esperança de verdade. A primeira cura foi feita com muito rock, muito café, conversas e livros. Companhia. Presença. Em vez de “turnos”, amor. É um grupo que coloca as mãos nas feridas abertas, faz os curativos, acompanha – e conserta algo que estava quebrado. Depois de uma semana, esta moça entrou para a reabilitação e vive – com as marcas que ela mesma fez no seu antebraço – de olho em si e no futuro.
Por que o assunto me toca e me faz escrever para vocês aqui? Escrevo porque esta é uma das formas de cura que uso. De compartilhar a minha experiência com quem quer que pouse nesta página feita de pixels…e, sim, eu estou em pleno tratamento contra a depressão. (#prontofalei)
A depressão é sorrateira, insidiosa, difícil de assumir. Uma das definições que achei:
Caracteriza-se por um grande desinteresse pela vida, falta de vontade de viver, por vezes existem medos seja de enfrentar algo seja apenas medo de viver a vida ou alguma situação da vida. Da mesma forma a pessoa sente-se incapaz de lidar com as coisas básicas do seu dia a dia. A depressão pode igualmente resultar de uma desorientação da pessoa face a determinados objetivos caso ela sinta que lhe falta algo que lhe dê um motivo para viver. A depressão pode levar ao suicídio ou a uma incapacidade de funcionar quer física quer mentalmente.
Trata-se de um fenômeno bio-psico-social – é um descolamento de nós e do meio que acaba num desequilíbrio de hormônios e neurotransmissores, que são fundamentais para sermos funcionais e produtivos. A Psiquiatria trata mais ou menos assim:
O tratamento antidepressivo deve ser realizado considerando os aspectos biológicos, psicológicos e sociais do paciente. Na média, não há diferenças significativas em termos de eficácia entre os diferentes antidepressivos, mas o perfil em termos de efeitos colaterais, preço, risco de suicídio, tolerabilidade varia bastante o que implica em diferenças na efetividade das drogas para cada paciente. A conduta, portanto, deve ser individualizada. A prescrição profilática de antidepressivos irá depender da intensidade e freqüência dos episódios depressivos. O risco de suicídio dever ser sempre avaliado. Não há antidepressivo ideal, entretanto, atualmente existe uma disponibilidade grande de drogas atuando através de diferentes mecanismos de ação o que permite que, mesmo em depressões consideradas resistentes, o tratamento possa obter êxito. (artigo de 1999)
O processo dura no mínimo seis meses, o bacana é associar drogas e terapia – porque só o remédio não resolve. É preciso conversar com um profissional bacana e qualificado, encontrar o lugar onde aconteceu o descolamento e ir em frente.
Como diz o Byron, citado pelo TWLOHA: a vida é difícil para todos nós, na maior parte do tempo. Viver não é bolinho. E começos de século, então, são momentos históricos para lá de complexos – embora eu veja com alegria muitas mudanças e tenha esperança, sempre, no hoje e no amanhã.
Como dizem Itamar Assumpção e Alice Ruiz, na música:
Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas, sai um milagre.
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Plágio é CRIME!
Lucia Freitas Mulher, blogueira e jornalista. Escreve muito. Seus assuntos preferidos? Quase tudo. Adora uma boa discussão, conversar com amigos, novidades, gadgets.
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Adorei as definições, mas o melhor foi saber que existem pessoas com essa idéia de melhorar o mundo.
Olá,
Essa é a primeira vez que entro em seu blogue e pode ter certeza que voltarei.
Por volta de 3 anos atrás entrei em depressão profunda e tentei o suicídio, felizmente não consegui atingir meu objetivo mas passei um bom tempo internada no HC e mais de 1 ano fazendo tratamento psiquiátrico e tomando remédios. Graças a persistência de minha família e amigos consegui enxergar novamente a vida e recomeçar a construí-la, não foi fácil recomeçar do zero aos 23 anos de idade pois em 2 anos perdi tudo o que já tinha conseguido (faculdade, emprego, namoro…) mas agora 3 anos depois consegui tudo e mais um pouco porém muito mais firme que antes.
Parabéns pelo seu post e pela iniciativa da To Write Love in Her Arms.
Bjs e não desista que a vida que você começará a ter depois que sair da depressão vai ser muito mais esplendorosa que sua vida antes da depressão.
Oi, Celina,
Oi, Gabriela,
Agradeço enormemente receber as histórias e o apoio de vcs.
bjs enormes
Oi Lu! Que legal que curtiu o movimento, melhor ainda saber que isso está te ajudando. O objetivo de tudo que faço é, sempre, espalhar o amor, gratuito e incondicional.
“Estejam alertas, fiquem firmes na fé, sejam corajosos, sejam fortes. Que tudo o que vocês fizerem seja feito com amor.”
1CORÍNTIOS 16.13-14
“Amor é o movimento”
gostei muito deste blog, é super interesante
Olá!
Que lindo esse movimento, gostaria de copiar o seu artigo e colocá-lo em meu blogger, vc me permite?
fica com Deus
Beijos!
Oi, Luciana,
Não pode não. Se quiser citar – e usar o trecho que mais gostou – pode, desde que coloque um link para cá, combinado?
Ahh.. sabe onde posso conseguir materiais?Algum site que eu compre, ou vc vende?
Aguardo respostas!
Todos os links que vc precisa estão no artigo. clique nos textos em vermelho que você acha!