Beleza Plástica – Frankenstein ou Barbie? O que é Pior?

Vivemos em épocas de beleza plastificada. E algumas mulheres estão indo longe demais nesse quesito. Serão elas pioneiras de uma nova – e horrível – forma de encarar a beleza e o corpo?

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Há alguns dias vi na televisão uma coisa bizarra, deprimente. Uma mulher de 31 anos, que já passou por mais de 30 cirurgias plásticas. Tudo em nome da “beleza”.

30 Cirurgias Plásticas, e Contando

Jenny Lee Burton já fez uma cirurgia para levantar as sobrancelhas, três operações no nariz, três implantes nos lábios, colocou silicone nos seios duas vezes e fez três operações para “erguê-los”; também já colocou implantes nas bochechas, e fez lipoaspiração nos braços, cadeiras, coxas, barriga e nos joelhos. Ela usa botox e deve ter feito alguma outra cirurgia que não lembro agora.

PhotobucketOs médicos já lhe advertiram que seu nariz vai colapsar se ela operá-lo outra vez. Ela diz que ainda fará mais cirurgias plásticas, pois não está satisfeita com sua aparência.

Jenny Lee tem um site, onde você pode ver algumas fotos. Sejamos francas, a moça é horrível. Seu rosto está tão repuxado que parece uma caricatura; e seu corpo é magro demais e fora de proporção. Tudo isso graças às “maravilhas” da cirurgia estética (?!).

No seu perfil do MySpace, está a frase “Nothing tastes as good as being thin feels!” – algo como “Nada tem um gosto tão bom quanto o que se sente ao estar magra”. Que belo conceito, não é mesmo?

A esta altura, você já deve ter concluído: esta mulher é demente. Eu tenho pena dela. Ela já se mutilou de quase todas as formas possíveis; foi esfolada viva, cortada, costurada, repuxada, recheada, injetada, quebrada… voluntariamente.

No programa que vi, Jenny contou que gasta a maior parte da manhã, todos os dias, cuidando de sua aparência. A moça diz que sofre de Transtorno Dismórfico Corporal.

Transtorno Dismórfico Corporal – Complexo de Quasímodo

Transtorno Dismórfico Corporal ou TDC é “uma desordem pouco reconhecida, caracterizada pela preocupação extrema com a própria aparência e com intensa insatisfação por ela, podendo ou não existir razões estéticas para isso“. Recomendo a leitura do artigo; apesar de meio técnico, está cheio de informações estremecedoras.

A questão é que esse transtorno psiquiátrico tem muito a ver com a popularização da cirurgia estética, e com os padrões de beleza que a sociedade nos impõe.

O desejo exagerado de se ajustar ao que é considerado belo pela sociedade, leva não só à baixa auto-estima e sacrifícios desnecessários (como dietas demasiado estritas e exagêro nos exercícios físicos, por exemplo), como à transtornos psicológicos e psiquiátricos, como anorexia nervosa, bulimia e TDC – entre outros.

Quando a sociedade como um todo, vai questionar esses conceitos de beleza? A glorificação de certos padrões estéticos, em detrimento de todos os outros, é extremamente nocivo, em especial para as mulheres.

Desejo de Perfeição Irreal

Beleza Plástica - Frankenstein ou Barbie? O que é Pior?Somos bombardeadas todos os dias com imagens de mulheres perfeitas, sem uma grama de gordura e sem celulite, com o cabelo sempre brilhante e lábios carnudos. Essas “deusas” nos acenam das capas de revista, das passarelas de moda, dos filmes, da TV e dos comerciais. Comparadas com elas, sempre perdemos.

Porque esquecemos de uma coisa: elas não existem. Elas são criadas com Photoshop, maquiagem, cabeleireiro e luz adequada. E no entanto, a pressão para ser como elas, existe. Não deveríamos deixar que capas de revista e comerciais de lingerie nos digam o que é ser bonita, mas deixamos. Deveríamos valorizar a beleza da mulher de verdade, mas não o fazemos.

Deveríamos aceitar como somos, ver nossa própria beleza. Mas não aceitamos, não vemos. Nos deixamos conduzir e enganar. Chegamos a odiar nosso corpo. E começamos a pensar em cirurgia plástica. Entramos na faca, simplesmente para perseguir um padrão artificial de beleza.

E assim se criam as Jenny Lee Burton da vida. Ela é um caso extremo, mas nem sequer é a única.

Uma Barbie “de Verdade”

Beleza Plástica - Frankenstein ou Barbie? O que é Pior?Sarah Burge é conhecida como “a Barbie da vida real“. Ela tem 46 anos e já gastou mais de U$S 397.000,00 em cirurgias plásticas. Como Jenny, ela já passou por incontáveis procedimentos, incluindo cirurgia para levantar o bumbum caído – a qual, segundo ela mesma, é extremamente dolorosa.

Sarah diz, em seu website, que já passou por tantas plásticas que “os meios dizem que sou ‘a Barbie da vida real’. Mas eu sou mais plástica do que a Barbie… e adoro isso!” Ela adora ser mais plástica do que a Barbie, e tem orgulho disso.

A Perfeição Imperfeita e Impossível

Irônico é que, olhando as fotos dessas mulheres, é evidente que elas não atingiram nenhum ideal de perfeição. Elas, e tantas outras que se submeteram a diversos procedimentos cirúrgicos, tampouco são perfeitas. Jenny é uma caricatura tosca; Sarah até é bonita, mas de rosto parece mesmo mais uma boneca do que uma mulher, e seu corpo não se adapta exatamente aos padrões de beleza.

Beleza Plástica - Frankenstein ou Barbie? O que é Pior?Isso para não mencionar outras que vi durante minha pesquisa; rostos distorcidos, seios enormes e desproporcionais ao corpo, estômagos tão lipoaspirados que deixam as costelas à mostra.

Como eu disse, são casos extremos. O que não quer dizer que uma mulher que sente que precisa de silicone nos seios, colágeno nos lábios ou sobrancelhas mais altas, não tenha problemas.

Eu quisera saber porquê as mulheres se deixam convencer e influenciar por padrões de beleza irreais, à ponto de se submeterem à esse tipo de coisa.

Opinião é que nem… e eu tenho a minha.

Já prevendo as pedradas: a menos que você tenha uma deformidade ou um problema clínico (como seios grandes demais, que causam problemas nas costas) eu acho que cirurgia plástica é uma reverenda idiotice, uma agressão completamente desnecessária contra si mesma.

Se você tem problemas de auto estima, deveria procurar um psicólogo ou terapeuta, não um cirurgião. O que você precisa é aprender a se aceitar e a gostar de si mesma, e não retalhar seu corpo.


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Nospheratt

Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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15 Comentários em “Beleza Plástica – Frankenstein ou Barbie? O que é Pior?”

  1. Bruno A. P says:

    Concordo em gênero grau e número. Achei essa Jenny Lee Burton mais parecida com um homem do que bonita, e olha que sou homem! A Sarah até é bonitinha, mas ainda prefiro uma mulher que tome umas cervejas comigo do que uma plastificada que não pode nem se mexer!
    Esses padrões de beleza atuais são ridículos. E sabe o que é pior? Quem mais se importa com isso são as mulheres!
    Acho horrível cirurgia plástica, salvo nos casos já citados. Acho que o primeiro processo de amadurecimento de uma pessoa passa por saber quem ela é, e se aceitar como tal. Pessoas que não passaram por esse processo, são as mesmas que fazem essas bizarrices que vemos.

  2. Carla says:

    Nospheratt,

    No outro dia, eu fiz um post no meu blog falando sobre esse assunto, só que focado especificamente para mães: que a aparência de mães famosas pressionam as mães comuns, como eu. Para quem tem dinheiro, é fácil submeter-se a uma plástica, lipoaspiração, colocar um botox, etc., resultado da insatisfação com o próprio corpo. Toda intervenção cirúrgica tem riscos – inclusive a cesárea, tão difundida em nosso país como um “parto indolor” e quando algo dá errado, querem culpar somente os médicos.
    Confesso que tenho vontade de fazer uma lipo para tirar toda a gordura de minha barriga, mas quando eu penso nos riscos da cirurgia e da anestesia, da dolorosa recuperação, eu acabo desistindo, mesmo porque não tenho como bancar uma. ;-)

  3. Lu Monte says:

    Assino embaixo, Nosphie. Eu jamais me submeteria a uma cirurgia invasiva, dolorosa e arriscada em nome da beleza. Conheço muitas mulheres que acham que esses são preços baixos a pagar em troca de um corpo com tudo em cima. Cada qual com seus valores…

  4. carine says:

    vc e louca

  5. pablo says:

    super merda …zuado !!

  6. Isabelle says:

    Eu acho que isso é real não que eu eteja mentindo, eu acho que é verdade. e eu não acho que é chato, isso pode ser estudado.

  7. Jory says:

    Eu acho que cada mulher tem sua própria essencia, por exemplo, mulheres negras com um nariz muito fino é uma coisa desproporcional porque a beleza negra é uma beleza diferente onde os labios são carnudos e o nariz é um pouco mais largo, assim como japonesas com labios gigantes e peitoes tambem é estranho, e por ai vai.. mas enfim, eu só acho que enves das pessoas ficarem olhando no espelho em busca de defeitos em si mesmas elas devem olhar a beleza que só elas tem.

  8. gabriella says:

    uma sirurgiazinha basta mas essa mulhre e orrorosa

  9. anan says:

    credooooooooooooooooooo

  10. luara says:

    eu acho isso uma grande loucura

  11. Drik says:

    “Qdo as pessoas verdadeiramente se ocuparem com seus a fazeres, e esquecer o visinho do lado, tudo irá se encaixar nos padrões…
    Porque que antigamente não existia “tanto padrões de beleza”, pq nego não ficava tão ligada na tv e se esquecia do mundo, ocupava o corpo todo com diversos a fazeres, não ficava na frente de tanta modernidade com botões…
    tinha que malhar, andar,movimentar, a real ralar p/se fazer algo, hoje com um clique se faz tudo, parece que criamos os sedentarismo. Veja as fotos de pessoas dos anos 50,60,70 p/k de cada 10 1 à 3 é gordo e 1 obeso, hoje em dia de cada 10 8 estão acima do peso, 6 estão “gordinhos” 4 obesinhos e o restante com problemas p/ achar uma clínica…rsrsrsrs
    Temos que rever nosso padrões!!!

  12. ingrid says:

    ééé bonita mais agora estar feia

  13. emile m. says:

    que coisa é essa? e ainda fizeram uma boneca igual a ela?
    horrivel!

  14. vcictoria says:

    eu acho a barbie linda

  15. Ananda says:

    Olá! Achei muito interessante essa matéria e gostaria de acrescentar algo de primeira importância: o problema não está em qual padrão de beleza seguimos, mas na limitação doentia que devotamos a ele. O que estou tentando dizer é que geralmente achamos que depreciar as mulheres que se encaixam nos padrões estéticos de hoje em dia resolverá nossos problemas, nos devolverá o valor que perdemos sobre nós mesmas. Mas isso não funciona. E ainda piora a nossa situação, pois depreciar o outro sempre resulta em depreciar a si mesmo.
    Achamos que é alguém de fora que nos exige esses padrões: ‘a mídia’, ‘os homens’, ‘os outros’… Mas na verdade nós mesmas somos as nossas tiranas! Precisamos acordar pra essa realidade! Enquanto continuarmos imaginando que são as outras pessoas que nos desvalorizam, que nos cobram, entregaremos todo o poder nas mãos delas.
    Parece que, conforme as nossas mentes se tornam mais controladoras e doentias, e os padrões se tornam mais acirrados, vamos perdendo o senso da verdadeira beleza e nos prendendo cada vez mais a essa beleza estética. E não há nada de errado com ela, mas ela não é primária. A Natureza usa a estética, mas nunca é usada por ela. Nós, afastados da Natureza, deixamos a estética nos usar. Achamos que a estética é mais importante do que a beleza. E nem sabemos direito qual é a diferença entre as duas…
    Isso tudo, porque não nos conformamos com a verdade, que é dúbia e mutável. Queremos fórmulas, respostas prontas, e então nos encaixamos em frases do tipo: “peito pequeno é feio”, “preciso perder 5 quilos e ter uma barriga chapada”, ou “preciso ganhar 5 quilos porque mulher tem que ter carne” (mulher magra também sofre, ouviram?). E assinamos embaixo do nosso atestado de loucura. Mas não enxergamos que o problema não está no corpo. ESTÁ NA MENTE!
    Existe beleza em todos os tipos de corpo, só não existe beleza no que não é saudável. Isso inclui gordura excessiva, magreza excessiva e cirurgia plástica excessiva. Precisamos de um retorno à Natureza, não apenas do lado de fora, mas por dentro, de verdade. Precisamos lembrar de como Ela opera e enxergar com olhos naturais novamente. Precisamos resgatar a verdadeira beleza, que é interna, mas transborda pelos olhos e por cada célula quando você está conectado à consciência suprema.