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	<title>Deusario &#187; Na Pele</title>
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	<description>Onde As Deusas Se Encontram</description>
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		<title>Cuide de Você.</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 14:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Na Pele]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[sophie calle]]></category>

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		<description><![CDATA[Estive em São Paulo recentemente e fui ver a exposição da artista plástica Sophie Calle entitulada: Cuide de Você. A exposição é composta das cartas, relatos, interpretações, análises de várias mulheres, entre elas uma ave que come a carta, mastiga-a com vontade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: right"><em>Recebi uma carta de rompimento.<br />
E não soube respondê-la.<br />
Era como se ela nao me fosse destinada.<br />
Ela terminava com as seguintes palavras: &#8220;Cuide de você&#8221;.<br />
Levei essa recomendação ao pé da letra.<br />
Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão,<br />
para interpretar a carta do ponto de vista profissional.<br />
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la.<br />
Entendê-la em meu lugar. Responder por mim.<br />
Era um maneira de ganhar tempo antes de romper.<br />
Uma maneira de cuidar de mim.</em></p>
<p><a id="gdu1" title="Sophie Calle" href="http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/br/2009/03/13/exposicao-prenez-soin-de-vous-de-sophie-calle/" target="_blank">Sophie Calle</a></div>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 242px"><img style="margin: 5px" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/sophiecalle.jpg" alt="" width="232" height="309" /><p class="wp-caption-text">Fonte: Divulgação.</p></div>
<p style="text-align: justify">Estive em São Paulo recentemente e fui ver a exposição da artista plástica <a id="ykie" title="Sophie Calle entitulada Cuide de Você" href="http://www.sophiecalle.com.br/" target="_blank">Sophie Calle entitulada: Cuide de Você</a>. A exposição é composta das cartas, relatos, interpretações, análises de várias mulheres, entre elas uma ave que come a carta, mastiga-a com vontade. Ao adentrar a exposição estamos num grande quarto quadrado com textos expostos na parede, em diferentes tamanhos e formatos. Num outro canto há uma série de vídeos onde podemos ver mulheres fazendo música, dançando, cortando legumes e interpretando a carta. A tão falada carta. A carta que iniciou o ponto final num relacionamento e que deu início a uma exposição que expõe os sentimentos de um homem e de várias mulheres.</p>
<p>Você pode ler <a id="y8t3" title="uma tradução da carta aqui" href="http://recorte.org/flip2009/2009/05/21/cuide-se-gregoire/" target="_blank">uma tradução da carta aqui</a>. Não é literalmente a mesma da exposição, mas nada de muito siginificativo foi modificado. Clicando na imagem pode-se ler o original em francês.</p>
<p>Sophie não dá nome ao autor da carta, chama-o de X. Porém, todos sabem que ele é o escritor <a id="ffrf" title="Grégoire Bouillier" href="http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=902647&amp;tit=ntimo-e-pessoal" target="_blank">Grégoire Bouillier</a>, que possui um livro que conta como foi o seu encontro com Sophie. Ambos usam a vida mais íntima e pessoal para fazerem sua arte. Fiquei muito curiosa ao saber da exposição, pois tudo é muito explicito e ao mesmo tempo cada mulher convidada interpreta da maneira que seu profissão exige. A delegada monta um inquérito, a professora de crianças faz uma lista de perguntas interpretativas simples, as atrizes interpretam, as musicistas fazem músicas, a revisora corrige os erros. Corre-se os olhos pelo francês daqueles relatos escritos e não se consegue enxergar tudo. Na minha opinião, a melhor resposta escrita é a da adolescente que simplesmente diz: &#8220;Ele se acha&#8221;! O que chama mais atenção parecem ser os vídeos em que as mulheres transparecem por meio de movimento, cor, imagem, som o que a carta provoca.</p>
<p>Acredito também que a exposição é diferente para homens e mulheres, as sensações provocadas não são as mesmas. Talvez porque realmente tratemos de modo diferente o rompimento. Fui a exposição com um amigo e ele achou tudo muito bobo, mulheres fazendo papel de idiotas. Porém, para mim fazia todo sentido. Já tive dores de separações que poderiam ter virado uma longa exposição. Uma delas é como uma cicatriz eterna no peito, que só de lembrar sinto o medo de sentí-la novamente levando sempre água aos olhos. Superei e não guardo mágoas, a lembrança não é do relacionamento, mas da dor. Talvez não seja o caso de Sophie nesse rompimento, talvez ela tenha canalizado sua dor para a arte. Há um vídeo em especial que me chamou a atenção, o de uma mulher que corta legumes enquanto lê a carta. Ela é caricata, porém são nos pequenos gestos que morremos um pouco após a separação. Separar-se significa que não farei mais a sobremesa favorita dele, que não me preocuparei em achar seus discos preferidos, em saber qual filme ele quer ver, qual doce gostava na infância.</p>
<p>Há também um blog que reúne os <a id="fgbn" title="blog que reúne os depoimentos enviados pelas pessoas" href="http://blog.sophiecalle.com.br/">depoimentos enviados pelas pessoas</a> que visitaram, ou não, a exposição. Ao chegar na exposição, você recebe uma cópia da carta e pelo blog pode publicar sua interpretação ela. E ao final da exposição você é convidado a escrever uma carta de rompimento. Achei interessante essa última ação, ao final você também tem que romper com alguém. Essa talvez tenha sido a maneira que Sophie encontrou para romper com Gregoire e também preservar um pouco de seus sentimentos. Foi para onde ela talvez tenha levado seu amor. Pois, é sempre comum pensar para onde vai todo aquele amor quando uma relação acaba. Sempre achei que morre um pedaço de mim junto com o fim de uma relação, pois a partir dali não poderei mais ser a mesma.</p>
<p>E a carta? Que na verdade foi um e-mail. Foi a melhor maneira de terminar a relação? Para mim pareceu que ele ainda queria conversar, mas era mesmo o fim, então, para quê prolongá-lo. Existe a melhor maneira de se terminar um relacionamento? <a id="zg3v" title="Carla Rodrigues" href="http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/1345" target="_blank">Carla Rodrigues</a> fala que uma carta é um gesto que muitas mulheres que ficaram no silêncio teriam adorado.</p>
<p>Agora, pensando sobre meus sentimentos na exposição percebo que tudo faz parte de uma grande <a id="j__7" title="investigação amorosa" href="http://bravonline.abril.com.br/conteudo/artesplasticas/ivestigacao-amor-480875.shtml" target="_blank">investigação amorosa</a>. Porque o amor é sempre um mistério, porque um amor que nasce entre pessoas não é estável como parece, pois só os sentimentos podem nos fazer tomar atitudes imprevisíveis. Sophie e Grégoire <a id="rtj7" title="se reencontraram" href="http://www.cosacnaify.com.br/flip2009/index.php/2009/07/04/o-inventario-amoroso-de-gregoire-bouillier-e-sophie-calle/" target="_blank">se reencontraram</a> na Feira Literária de Paraty desse ano. E você pode ver <a id="t2os" title="Sophie explicando" href="http://www.youtube.com/watch?v=7GiQW6naZg0" target="_blank">Sophie explicando</a> um pouco mais sobre o fim e qual a relação com seu trabalho.</p>

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		<title>Há Tanto Tempo Que Te Amo.</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 14:51:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Na Pele]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Há tanto tempo que te amo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não posso lhe contar o que Juliette fez. Também não posso contar porque ela o fez. O segredo revela-se lentamente. O filme é tenso e possui certo suspense durante toda sua projeção. Porém, a esperança está a espreita nas reuniões com amigos, nos encontros com o delegado ou nas afinidades com um possível affair. A vida tem grande possibilidade de renascimento quando se conta com pessoas que querem nos ajudar nessa dura jornada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quanto tempo pode separar ou apagar o amor de uma irmã? É esse sentimento que dá título a um filme arrebatador que nos faz pensar sobre perdão, amor, culpa, coragem e esperança. E quem nos ensina tudo isso são duas irmãs, mais precisamente Léa, a irmã que não desiste de Juliette, que a quer ao seu lado, compartilhando bons e maus momentos, reconstruindo sua vida e seus elos. Porém, assim como nós, Léa não conhece Juliette. Quem é Juliette? De onde veio Juliette? Por que nunca ouvimos falar de Juliette? O que quer Juliette? Léa a ama sem saber nenhuma dessas respostas e a ama há muito tempo.<br />
<img class="alignleft" style="border: 2px solid black; margin: 5px;" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/ilyalongtempsquejetaime_13RSZ.jpg" alt="Imagem: Divulgação" width="350" height="227" />Léa corre, se esforça, se irrita, chora e defende Juliette. E também quer descobrir quem ela é. Nosso primeiro encontro com Juliette é intermediado por Léa. Ela está afobada, enquanto Juliette fuma um cigarro sem pressa, porém, apreensiva. Quem é Juliette? É uma mulher que passou quinze anos na cadeia. Por que ela não tem um emprego? pergunta a filha mais velha de Léa. Quanto tempo ela vai ficar? Pergunta o marido de Léa. O que você fez para ter passado quinze anos na cadeia? Pergunta o dono de uma empresa numa entrevista de emprego. Por que você não disse nada no tribunal? Pergunta a assistente social. Por que você não nos contou? Pergunta Léa. A cumplicidade surge com um homem que nada fala, Juliette nunca falou sobre o assunto, prefere não falar, deixou-se abandonar.</p>
<p>Não posso lhe contar o que Juliette fez. Também não posso contar porque ela o fez. O segredo revela-se lentamente. O filme é tenso e possui certo suspense durante toda sua projeção. Porém, a esperança está a espreita nas reuniões com amigos, nos encontros com o delegado ou nas afinidades com um possível affair. A vida tem grande possibilidade de renascimento quando se conta com pessoas que querem nos ajudar nessa dura jornada. Nesse ponto o filme parece muito simples, muito conto de fadas, mas a dor permanece. Juliette morreu e apenas sua irmã lembra de quem ela era, mas nenhuma das duas sabe dizer quem ela é depois desses quinze anos. É essa fraternidade que guiará Juliette e a fará agradecer, num &#8220;Merci&#8221; recheado de amor, como se não pudéssemos imaginar que um dia teríamos um pedaço de quem éramos novamente. Dessa maneira Juliette passa a enxergar vida novamente, essa que nos conduz de diversas maneiras, muitas vezes sem sabermos como agir ou sem conseguir compreender sua complexidade, com tantas possibildades que não podemos impedir ou com sua ironia forçada ao nos reencontrarmos com aqueles que nos tornaram invisíveis.</p>
<p>O filme tem cenas de pura ternura como os banhos de piscina, o piano ou todas as cenas em que as filhas de Léa <img class="alignright" style="border: 2px solid black; margin: 5px;" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/ilyalongtempsquejetaime_09RSZ.jpg" alt="" width="350" height="227" />aparecem. As roupas de P&#8217;tit Lys iluminam nossos olhos. E é a pequena Emelia com sua curiosidade que nos traz um papel definitivo para a história. A música, o sol e os casacos tudo encontra-se muito harmônico, formando belos quadros. Até mesmo os lábios apreensivos de Juliette são personagens, a maneira como suas roupas e sua feição mudam. Léa não julga sua irmã e parece saber desde o início que nunca irá condená-la, apesar da atitude da irmã ter tido consequências em sua vida. No fim, chega o momento em que Juliette nos diz todas as respostas. Coloca-se inteira e vulnerável. Léa não tem dúvidas, imagino que eu também não teria. O amor muda tudo, o amor nos une e nos faz até mesmo compreender o que alguém foi capaz de fazer. Talvez você discorde, é claro, mas esta sou eu enxergando pelos olhos de Léa, uma irmã que não perde a chance de continuar amando.</p>
<p><strong><a title="Il y a longtemps que je t'aime - Trailer" href="http://www.youtube.com/watch?v=jUsZ1pJdv-E" target="_blank">Il y a longtemps que je t&#8217;aime &#8211; Trailer</a></strong></p>
<p>Imagens: Divulgação</p>

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</ul>

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		<title>Por Que Sou Gorda, Mamãe?</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 12:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Na Pele]]></category>
		<category><![CDATA[cíntia moscovitch]]></category>
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		<description><![CDATA[O livro começa com a confissão de que a protagonista engordou vinte e dois quilos, ela então decide ir ao médico e fazer uma dieta. Mas eis que a partir do primeiro capítulo aparece o tema real, o livro é essencialmente a biografia de uma família judia, imigrantes da Romênia que vieram para o Brasil na época da segunda guerra. São as lembranças dessa família, das histórias, reminiscências e causos que se desenrola a trama, pontuada de maneira grave pelo relacionamento com a mãe e o objetivo de perder peso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira impressão que tive ao começar a ler o livro de <a id="unsp" title="C?ntia Moscovitch" href="http://www.cintiamoscovich.com/" target="_blank">Cíntia Moscovitch</a> é que toda a trama se basearia numa discussão de relacionamento com a mãe da protagonista. Porém, o livro começa com a confissão de que a protagonista engordou vinte e dois quilos, ela então decide ir ao médico e fazer uma dieta. Mas eis que a partir do primeiro capítulo aparece o tema real, o livro é essencialmente a biografia de uma família judia, imigrantes da Romênia que vieram para o Brasil na época da segunda guerra. São as lembranças dessa família, das histórias, reminiscências e causos que se desenrola a trama, pontuada de maneira grave pelo relacionamento com a mãe e o objetivo de perder peso.</p>
<p><img class="alignleft" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/mamae.jpg" alt="" width="400" height="267" /><em>&#8220;Uma pessoa é obesa por alimentação inadequada, sedentarismo, mau funcionamento metabólico e herança genética &#8211; além daquelas variantes nebulosas, como ansiedade, depressão e quejandos. Meu metabolismo sempre funcionou bem, obrigada &#8211; e esse é o único determinante de obesidade do qual me escapo. Simplificando: sou gorda porque como e porque minha conformação genética quer assim. Talvez eu venha a acreditar nisso. Sabendo ou não como engordei, a única coisa que pode ser mudada é a maneira de me alimentar. E mexer o esqueleto: caminhadas de uma hora, quatro vezes na semana. Detesto caminhadas.&#8221; (pg. 16)</em></p>
<p>O livro segue o estilo diário, ou talvez seja um conjunto de cartas endereçadas a mãe, porém só parece ocorrer no tempo presente nos momentos das idas ao médico para verificar como anda a balança ou nos dilemas alimentares do dia-a-dia. A ficção nasce do desejo de compreender.<br />
<em><br />
&#8220;Há um livro a ser escrito, e nele os fatos serão fruto de prestidigitação, ainda que imperfeita. Respostas possíveis, ilusãoo para secar as mágoas e o corpo. O prólogo termina Depois já iniciou. Começo num posto de interrogação. Por que sou gorda, mamãe?&#8221; (pg.19)</em></p>
<p>Uma mãe que é extremamente amorosa, que ama e é amada por seus filhos, mas que cobra, que não esquece, que parece rancorosa e infeliz. E, como tantas outras mães da literatura ou do cinema, parece descontar na única filha todas as infelicidades de uma vida. Exagero talvez, mas o livro é monofônico. Encontramos também histórias sobre as avós, as tias, formando vários elos femininos para quem a autora faz a pergunta do título sem grandes respostas. Há também avõs, pais, tios, irmãos e sobrinhos. Apenas o pai parece ter dado a solução, mas não a resposta. Assim como parece não haver solução para a relação com a mãe.<br />
<em><br />
&#8220;A senhora diz que seus filhos não a amam, que nunca recebe demonstração nenhuma desse amor que deveria ser evidente. O amor filial, a tecla gasta que propiciou à ficção páginas salgadas. Pois é, o amor de seus filhos, aquele dos qual a senhora mereceria demonstração diária e intensa depois de tudo o que fez. Não pode ser, tropeçamos na nossa própria desordem e embaraço: a única coisa que nós sabemos demonstrar, e muito bem, é ressentimento, um ódio encorpado e grosso, mágoa que escava a própria alma.&#8221; (pg. 30)</em></p>
<p>Por mais que pareça rancorosa, a protagonista alterna esses momentos com demonstrações de carinho pela mãe. Na verdade tudo que compreende é o quanto é difícil tanto ser mãe como ser filha, e como dentro de uma relação as pessoas precisam aceitar papéis, ignorar algumas verdades e viverem expostas de maneira muito crua perante sua herança familiar. Uma das várias possíveis justificativas, que parecem soluções para o dilema do título, é a própria história de pobreza e fome que a família viveu. A abundância alimentar parece suprir anos de carência, parece nos fazer crer que os dias ruins ficaram para trás enquanto pudermos nos empanturrar. O judaísmo com sua cultura, piadas, costumes, comidas e suas tragédias está fortemente presente no livro. É dos dramas de vários familiares que a protagonista extrai várias formas de lidar com a vida.</p>
<p><em>&#8220;Sou tão órfã de antepassados. Um broto arrancado à planta. Recordo, porque a memória é a melhor parte desse espólio desconjuntado. E cada lembrança de vovó é, de repente, uma novidade, longe do frio cinzento que estica as garras e rouba.&#8221; (pg. 55)</em></p>
<p>Gostei do estilo de escrita da Cíntia, ela tem uma boa prosa e muito humor durante todo livro. São especiais os trechos em que fala da avó materna, sempre carinhosa, magra e com muitos doces para oferecer aos netos, mesmo quando eles estavam em dieta na infância. Dos encontros com a avó surgem talvez os momentos mais engraçados do livro, pois a Vovó Magra parece ser aquele estilo de avó que nasceu para o papel clássico. É claro que a mãe da protagonista também não tinha uma relação muito amistosa com a própria mãe. Primeiramente poderíamos afirmar que a mãe não se dá bem com ninguém, mas isso não é verdade, em nenhum momento a culpa é colocada nela, o livro dá a mãe o direito de ser quem ela foi, nem melhor, nem pior. Já a avó ganha 10 na avaliação geral.</p>
<p><em>&#8220;Do baralho de cartas, além do pife com as amigas, a vovó também tirava previsões de futuro. Uma vez, lembro que ela me sentou à mesa da sala de jantar, embaralhou as cartas e pediu que eu separasse o monte em duas partes. Lambendo a ponta dos dedos, distribuiu um dos maços do baralho em duas fileiras. A rainha de copas e o valete de espadas, um ao lado do outro, queriam dizer isso, isso e aquilo, e aquele seis de ouros ao lado do às também de ouros, significavam que isso, isso e aquilo &#8211; previsões ou muito complicadas ou muito desinteressantes que eu não guardei na memória. Exceto por uma, acho que tirada da combinação do rei de copas ao lado de um outro seis de ouros, que ela interpretou como evidente alegria: Ui, que bom, mein kindale, você nunca vai passar fome.&#8221; (pg.92)</em></p>
<p>Quando se é mulher há uma série de mulheres para trás de nós, filhas, mães, avós, bisavós, tataravós. Há uma linhagem feminina que nos trouxe até este ponto e não fugimos disso, não fugimos dessas vidas que nos forjaram, mas também construímos um novo capítulo. A linhagem é a resposta, mas isso é apenas uma afirmação. O passado escreve o presente, mas também é possível não remexê-lo. Sem esforço e sem susto não se chega ao fim, apenas a vida que segue com suas interrogações. <em>&#8220;A senhora, mamãe, agora sabe?&#8221;</em></p>

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		<title>O Que Nos Faz Feliz?</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 16:11:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>

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		<description><![CDATA[Você vai ouvir pessoas comentando sobre este filme, especialmente mullheres. Isso se alguma amiga já não te convidou para assistir. É aquele tipo de filme especial que ganha público no boca-a-boca, naquelas boas conversas depois do almoço. E isso não é corporativismo meu, é mesmo um ótimo filme para se ver com amigas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a title="Divã" rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=RvN23MENeMg" target="_blank">Divã</a></strong>. Você vai ouvir pessoas comentando sobre este filme, especialmente mullheres. Isso se alguma amiga já não te convidou para assistir. É aquele tipo de filme especial que ganha público no <strong><a title="boca-a-boca" rel="nofollow" href="http://colunistas.ig.com.br/ricardocalil/2009/04/27/diva-sucesso-do-boca-a-boca/" target="_blank">boca-a-boca</a></strong>, naquelas boas conversas depois do almoço. E isso não é corporativismo meu, é mesmo um ótimo filme para se ver com amigas.<br />
<img class="alignright" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/feliz.jpg" alt="" width="270" height="401" /><br />
Baseado num ivro da escritora <strong><a rel="nofollow" href="http://www.releituras.com/mamedeiros_menu.asp" target="_blank">Martha Medeiros</a></strong>, Divã conta a história de <strong><a rel="nofollow" href="http://www.divaofilme.com.br/" target="_blank">Mercedes</a></strong>, uma mulher na faixa dos 40, professora de matemática, casada e com dois filhos adolescentes. Sua mãe morreu quando tinha nove anos e, para não dar trabalho ao pai, Mercedes nunca mais chorou. Mesmo com todo esse drama, o filme é essencialmente uma comédia que possui um paralelo com outro filme inglês lançado recentemente: <strong><a title="Simplesmente Feliz" rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=87fXcLwAsis" target="_blank">Simplesmente Feliz</a> </strong>.</p>
<p>Em Simplesmente Feliz, <strong><a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2787" target="_blank">Poppy</a></strong> é uma professora de jardim de infância, que divide apartamento com uma amiga, adora roupas muito coloridas e salto alto. Depois de ter sua bicicleta roubada, decide ter aulas de direção e conhece Scott, o instrutor mais mau humorado que já se viu. Mercedes e Poppy não se parecem à primeira vista. O figurino de Mercedes é lindo e clássico, enquanto a risada de Poppy soa exagerada em vários momentos, porém o que as duas afirmam o tempo todo ao espectador é que o problema delas não é tristeza, fingimento, ou fuga da realidade, é excesso de felicidade. Cada uma a seu jeito encontrou uma maneira de viver os momentos, torná-los especiais, se sentir bem da maneira que é e que vive. O mais interessante dos dois filmes é observar as situações e sentimentos que as fazem repensar suas atitudes, seus sonhos e até mesmo questionar suas intensas felicidades. O grande trunfo dos filmes não é tentar ridicularizá-las em situações como idas a boates ou dores nas costas, é mostrá-las como personagens reais, que costumam absorver a tristeza dos outros, mas que estão sempre dispostas a serem otimistas e encontrarem maneiras de tocar a vida. Não do jeito mais fácil, mas do menos doloroso, rindo. O tempo passa e a vida continua com sua grande roda do destino.</p>
<p><strong><a title="Poppy" rel="nofollow" href="http://www.happygoluckythemovie.com/" target="_blank">Poppy</a> </strong> é extremada demais para os mais sensíveis. Mercedes é uma companheira mais palatável, uma amiga com que tomaríamos um bom café toda semana. Poppy seria a amiga da balada. Outro ponto positivo dos dois filmes é que as duas tém grandes amigas, mostrando que a amizade feminina é uma dos melhores presentes que uma mulher pode ganhar da vida. Há mais personagens e cenas memoráveis que se entrelaçam, que representam o derramamento de sentimentos que as protagonistas tentam compreender. É um <strong><a title="cabelereiro" rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=e0mdgBWVLCk" target="_blank">cabelereiro</a> </strong> que declara ser emotivo ou uma professora de flamenco que ao explicar sobre os passos de dança se emociona e cai no choro. São extremos aos quais as protagonistas não chegam. Muitas vezes esperamos um surto, uma histeria, como se isso explicasse tudo, como se arroubos fossem um motivo real para colocar sonhos em prática. Não são. As protagonistas experimentam muito, não ficam estáticas esperando que tudo aconteça.</p>
<p>Mercedes e Poppy são duas ótimas personagens femininas que surgem nesse início de ano. Duas mulheres <img class="alignleft" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/feliz2.jpg" alt="" width="200" height="283" />que se consideram muito sortudas, por diversas razões. Esqueça os dramas, as tristezas, as culpas e a roupa para lavar. Todas erramos em alguns pontos, a grande maioria acredita no sonho do casamento, enquanto outras não temem em viver suas vidas de solteiras dançando até de manhã. A melhor mensagem dos filmes é que ninguém pode deixar de viver. Interessante, que nos dois filmes as personagens se relacionam com homens mais novos. Alguém teria um bom estudo ou palpite para me indicar sobre esse <strong><a title="fenômeno tão comum" rel="nofollow" href="http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1082610-15605,00.html" target="_blank">fenômeno tão comum</a></strong>? Se nada ainda lhe agradou, vá pelas ótimas atrizes <strong><a title="Lília Cabral" rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=g-mgdi2Oku4" target="_blank">Lília Cabral</a> </strong> e Sally Hawkings, que ganhou o globo de ouro de melhor atriz pelo filme.</p>
<p>Recomendo com muitas exclamações que você assista Divã. Mercedes vai em busca de um psicanalista sem saber porque, sabendo apenas que sente algo que não está no lugar certo. Conhecendo aquela sensação feminina tão comum de que as coisas não estão tão bem como parecem. Minha sessão estava lotada de amigas que riam e se cutucavam cumplíces em várias cenas. Se você quiser fazer uma sessão dupla e também assistir <strong><a title="Simplesmente Feliz" href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2787" target="_blank">Simplesmente Feliz</a></strong>, vá com a mente aberta, pois é uma comédia com sotaque e entrelinhas inglesas. A senhora na minha frente exclamou ao fim da sessão: &#8220;Que filme mais doido&#8221;. Ela parece não ter entendido que para Poppy a realidade realmente não interessa. Mas acima de tudo dê o primeiro passo, renove-se constantemente, pois quando a gente muda o mundo muda com a gente.</p>

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		<title>Série Deusas &#8211; Minha Estrela de Três Pontas.</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 15:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Minha Ártemis ainda adora acampar, acordar de manhã e sentir o cheiro da grama molhada pelo orvalho. Minha Atena adora a palavra "aula", horas de estudo e discussões. E minha Afrodite persegue ainda doses mínimas de amor e desejo para começar o dia. Na hora do aperto a balança pesa para algum lado e acabo tendo que encontrar um certo equilíbrio entre as três.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando falamos em <a title="arquétipos" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arqu%C3%A9tipo" target="_blank">arquétipos</a> estamos falando de padrões, de modelos de comportamento. Quando digo que <a title="uma Deusa me influencia" href="http://deusario.com/2009/02/qual-e-sua-deusa-interior.html">uma Deusa me influencia</a> estou utilizando a mitologia para exemplificar padrões femininos e observar com quais deles minhas atitudes e comportamentos são mais comuns. E dentro de mim, as Deusas que mais me influenciam começam todas com a letra A: <a title="Ártemis" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81rtemis" target="_blank">Ártemis</a> , <a title="Atena" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Atena" target="_blank">Atena</a> e <a title="Afrodite" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Afrodite" target="_blank">Afrodite</a> .</p>
<p><img class="alignleft" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/deusa_post.jpg" alt="Deusas" width="382" height="174" /></p>
<p>Minha mãe e minha avó materna não são mulheres com características de <a title="Deméter" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dem%C3%A9ter" target="_blank">Deméter</a> , nenhuma delas parece ter criado suas filhas com extrema vocação para a maternidade. Isso influenciou bastante minha infância e crescimento. Sempre fui uma criança Ártemis com uma intensa ligação com a natureza e com outras mulheres. Apesar de brincar muito com meninos, sempre me vi cercada de tias, primas e amigas, mas nunca exercendo atividades tipicamente femininas. As mulheres de minha vida sempre me incentivaram a ter liberdade e explicavam que minha ligação com a natureza é importante para o meu crescimento espiritual e sensorial. Foi assim que cresci usando o cabelo bem curto, roupas de brincar, muita massinha , tintas e papéis para desenhar. Tive a liberdade de correr, subir em árvores, abraçar animais e interagir com outras pessoas. Até hoje é importantíssimo para mim realizar pequenos retiros espirituais em locais com muita natureza, onde eu possa tomar banhos de cachoeira e esfregar os pés na terra.</p>
<p>No início da adolescência, com aquelas preocupações do vestibular e da futura vida adulta chegando, vi Atena se apoderando de mim. Esse período também marcou uma interessante época em que minha relação com meu pai mudou, começamos a aparar arestas e nos tornamos mais próximos. Atena nasceu da cabeça de Zeus, o pai é figura central em seu mito. Estudos, trabalho, mais estudos, emprego, formatura. Era apenas com isso que me preocupava. Até porque nunca fui aquele tipo de pessoa que encara a faculdade como uma grande diversão, meu principal objetivo era conseguir minha independência e lá no alto estava Atena com toda sua obstinação, foco e desejo de vencer.</p>
<p>Durante todo esse tempo, Afrodite lançava seus perfumes sobre mim aqui e ali, pois apesar de ter duas deusas virgens comandando muitos de meus movimentos, os desejos sexuais eram incorporados e desenvolvidos durante esse tempo à medida que me relacionava amorosamente. A partir daí seguiu-se um ritmo comum, alguns namorados interessantes, outros canalhas, algumas paixões que me fizeram chorar por várias noites, arrependimentos, traições, novas tentativas, experimentações e quebra de alguns padrões. Afrodite é essencialmente a Deusa que me deu a possibilidade de amar muito, quem eu quis, na hora certa ou não. Seja nos meus relacionamentos sérios ou nos meus dias de guerreira em baladas, o amor não é algo certo, não é uma coisa imutável, depende de duas pessoas e isso torna tudo instável e improvável. Mas é aí que entra a mágica que faz duas pessoas decidirem ficar juntas. Pode não ser para sempre, mas é importante querer transformar esse momento em algo eterno para os dois e pelo tempo que durar.</p>
<p>Minha Ártemis ainda adora acampar, acordar de manhã e sentir o cheiro da grama molhada pelo orvalho. Minha Atena adora a palavra &#8220;aula&#8221;, horas de estudo e discussões. E minha Afrodite persegue ainda doses mínimas de amor e desejo para começar o dia. Na hora do aperto a balança pesa para algum lado e acabo tendo que encontrar um certo equilíbrio entre as três. Ártemis e Atena nunca deixaram que eu largasse tudo por um caso amoroso, já Afrodite me ensina que a vida não é apenas as responsabilidades que tenho com a carreira ou com os outros. Acredite, está tudo dentro de apenas uma mulher e está dentro de você também. <a title="Há tantas Deusas" rel="nofollow" href="http://www.paleothea.com/" target="_blank">Há tantas Deusas</a> para se descobrir, não deixe de encontrar a sua.</p>
<p><a title="Qual sua deusa interior?" rel="nofollow" href="http://www.mulhernatural.hpg.ig.com.br/trablux/deusa.htm" target="_blank">Teste: Qual sua deusa interior?</a> Este teste é idêntico ao que está no livro A Deusa Interior de Roger J. Woolger e Jennifer B. Woolger.</p>
<p>Literatura recomendada:<br />
A Deusa Interior de <a title="Roger J. Woolger" rel="nofollow" href="http://www.woolger.com.br/textos.htm" target="_blank">Roger J. Woolger</a> e Jennifer Barker Woolger.<br />
As Deusas e a Mulher de <a title="Jean Shinoda Bolen" rel="nofollow" href="http://www.jeanshinodabolen.com/" target="_blank">Jean Shinoda Bolen</a><br />
Mulheres que correm com lobos de <a title="Clarissa Pinkola Estés" rel="nofollow" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Clarissa_Pinkola_Est%C3%A9s" target="_blank">Clarissa Pinkola Estés</a><br />
Ciranda das mulheres sábias de Clarrisa Pinkola Estés</p>
<p> <strong style="COLOR: #800000">___________________________________</strong><br />
 <strong style="COLOR: #800000">Veja todos os textos</strong> da <a title="Série Especial Deusas" href="http://deusario.com/2009/03/serie-especial-deusas.html">Série Especial Deusas</a>.</p>

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		<title>Elizabeth Comeu, Rezou e Amou.</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 13:23:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O slogan do livro é o que primeiro chamou minha atenção: “Seja também a heroína de sua própria jornada”. É uma frase convidativa, mas óbvio que o livro é taxado de auto-ajuda, cada um faz o julgamento que quiser. O que admiro em Elizabeth e quero contar a você é o quanto uma mulher precisa se descobrir para adentrar o mundo dos prazeres.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Elizabeth Gilbert" rel="nofollow" href="http://www.elizabethgilbert.com/" target="_blank">Elizabeth Gilbert</a> é real. Jornalista e autora de Comer, Rezar, Amar que está nas listas de mais vendidos há um bom tempo. O livro é o relato de sua experiência pessoal durante o período em que viajou por três países: Itália, Índia e Indonésia. Em uma busca por autoconhecimento, espiritualidade e amor, Elizabeth acaba tornando-se personagem.</p>
<p><img class="alignright" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/gilbert_post.jpg" alt="Comer, Rezar, Amar" width="367" height="348" />Confesso que torço o nariz para best-sellers, preconceito bobo. Minha terapeuta deu-me de presente e disse: “Acho que vai gostar”. O slogan do livro é o que primeiro chamou minha atenção: “Seja também a heroína de sua própria jornada”. É uma frase convidativa, mas óbvio que o livro é taxado de auto-ajuda, cada um faz o julgamento que quiser. O que admiro em Elizabeth e quero contar a você é o quanto uma mulher precisa se descobrir para adentrar o mundo dos prazeres.</p>
<p>O estopim de Elizabeth foi o fim de seu casamento e um divórcio extremamente doloroso, que parecia não ter fim. Foi nesse momento que veio seu primeiro contato pessoal com a espiritualidade, sua intuição, Deus ou com qualquer outro nome, num momento de profundo desespero ela acordou e percebeu que precisava mudar sua vida. E isso sempre é uma decisão difícil, pois significa sair da zona de conforto, abandonar o que é comum e abrir caminho para o novo. É preciso coragem e nem sempre vem fácil.</p>
<p>Para algumas pessoas é difícil ter empatia por Elizabeth, pois ela tira um ano sabático para viajar e viver apenas seus estudos. O ócio não é visto com bons olhos e a Índia talvez seja mística demais para outros. Há muitos clichês, mas a vida muitas vezes é uma série de coincidências, não é mesmo? Devorei as mais de 100 contas em poucos dias e encarei cada novo capítulo como pequenos passos para iniciar transformações.</p>
<p>Na Itália ela come. Engorda e sente-se bem com isso. Sente-se alimentando a alma com comida e o italiano. Com o prazer da gula e os sentidos que uma língua latina provoca em seu cotidiano. É preciso amor no início dessa viagem, é preciso acreditar em si e se aceitar. São prazeres básicos que reaprendemos a nos dar. Difícil ver alguém que engorda e fica feliz, mas não podemos duvidar de nada quando se trata do ser humano. Faz também novos amigos, passeia por diversas cidades e experimenta, aguça o paladar. Quando experimentamos algo pela primeira vez deve-se apreciar o cheiro, a aparência e o sabor, não sejamos tímidas ao nos entregar aos sentidos. Primeiro passo: desenvolvimento dos sentidos e auto-estima em alta.</p>
<p>Na Índia ela medita. Isola-se em um <a title="Ashram" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ashram_(%C3%8Dndia)" target="_blank"><em>ashram</em></a> no interior do país. Seu crescimento espiritual ocorre por meio de catarses e questionamentos. É hora de deixar para trás sentimentos ruins e nossas amarras invisíveis. Olhar para dentro de si, concentrando-se e redescobrindo quem você realmente é. Se isso não for possível, descubra ao menos o que você realmente quer. É aqui também que Liz conhece um dos personagens mais carismáticos da história: Richard do Texas. Durante a vida pessoas especiais cruzam nosso caminho simplesmente para nos mostrarem outros ângulos de uma mesma situação e nos forçam a mudar, aceitar e reagir. Muitas vezes vão embora da mesma forma que entraram. Ela agora está inteira, presente de corpo e alma dentro de si. Segundo passo: reflexão e a reconstrução pessoal.</p>
<p>Na Indonésia ela ama. É o epílogo e também o retorno. Algum tempo antes dessa viagem Liz havia ido a Bali e tinha conhecido um guru que previu sua volta. O objetivo é reencontrar o guru e com ele aprender e usar todo seu conhecimento recém adquirido para construir uma nova vida. Um mergulho na cultura balinesa, seu povo e seus costumes. Uma nova amiga especial, a curandeira Wayan e o brasileiro Felipe. Os passeios de bicicleta, as conversas animadas entre mulheres e o sexo com Felipe são a concretização de seus desejos. É preciso permitir que o amor chegue até nós, eliminando barreiras. O reequilíbrio emocinal tem como principal consequência, o amadurecimento e a possibilidade de relacionamentos francos e saudáveis. Terceiro passo: a entrega ao novo.</p>
<p>Elizabeth é uma mulher moderna, dona de seu nariz e que encontrava-se perdida numa vida que não lhe trazia prazer. E quando falo de prazer, não estou chamando isso de felicidade eterna. Estou afirmando que cada um deve procurar aquilo que lhe dá prazer, como uma maneira de tornar-se uma pessoa melhor e de tornar a vida mais simples. Elizabeth poderia ter viajado pelos Estados Unidos, poderia ter encontrado pessoas especiais em algum grupo de tricoteiras, ou feito apenas um curso de meditação. O prazer é adquirido por meio do autoconhecimento e isso não tem endereço, nem receita, depende apenas de você descobrir o que realmente deseja. Na maioria das vezes são coisas bem simples e que também envolvem conhecer pessoas que nos ajudam a crescer. Pois nada é fácil, seja um divórcio, um novo amor, morar sozinha ou o crescimento dos filhos. Os três passos que explicitei são um caminho simples para provocar mudanças. Porém, o importante é abandonar a inércia, parar de esperar pelos outros e ser a heroína de sua própria história. E isso não é clichê, é uma verdade necessária.</p>
<p><a title="Comer Rezar Amar" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/20070308-comer_rezar_amar.pdf" target="_blank" rel="nofollow">Leia um trecho (em .pdf) do livro.</a></p>

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		<title>Daisy Fuller de O Curioso Caso de Benjamin Button</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 12:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Srta. Bia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A primeira coisa que lembro ao pensar em Daisy é o vermelho de seus cabelos. São encorpados como nos comerciais de xampu. Desde a primeira vez que Benjamin a vê, quando os dois têm por volta de sete anos, ele se apaixona. Daisy demora um pouco mais a compreender seus sentimentos, mas cresce sabendo que há uma ligação forte, sempre ansiando revê-lo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i45.photobucket.com/albums/f77/Deusario/daisy.jpg" alt="" width="303" height="450" /></p>
<p style="justify;">(Imagem: Divulgação)</p>
<p style="justify;">A primeira coisa que lembro ao pensar em Daisy é o vermelho de seus cabelos. São encorpados como nos comerciais de xampu. Desde a primeira vez que Benjamin a vê, quando os dois têm por volta de sete anos, ele se apaixona. Daisy demora um pouco mais a compreender seus sentimentos, mas cresce sabendo que há uma ligação forte, sempre ansiando revê-lo ou ler seus cartões postais. Outra característica de Daisy, que <a title="Cate Blanchet" rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cate_Blanchett" target="_blank">Cate Blanchet</a> soube tão bem mostrar é o olhar. Há cenas extremamente especiais: a maneira como Daisy olha para Benjamin quando mergulham, quando ele deixa na cabeceira um bilhete e quando está em seu colo. São os olhos que exprimem prazer, indignação, medo e identificação. Até mesmo a leitura do diário é um novo olhar sobre a história dos dois.</p>
<p class="MsoNormal" style="justify;">O fato de o filme contar a vida inteira de <a title="Benjamin Button - Trailer" rel="nofollow" href="http://www.youtube.com/watch?v=p8ucIL2tLLo" target="_blank">Benjamin Button</a>, um homem que nasceu velho e rejuvenesce a cada dia, traz de brinde vários momentos da vida de Daisy, uma mulher retratada em várias estações. Quando pequena é esperta, curiosa e aventureira, pois está sempre pronta a se meter em barcos desconhecidos com Benjamin. Na fase de brilho como bailarina famosa, moderna e espirituosa, é pura energia nas apresentações, ensaios e no <a title="Daisy Fuller's look." rel="nofollow" href="http://boxwish.com/features/view/186-get-daisy-fullers-look-from-the-curious-case-of-benjamin-button" target="_blank">vestido vermelho</a> que usa para jantar com Benjamin. Sua mente ferve, seu magnetismo é contagiante, mas não há espaço para que os dois se encontrem. A independência e liberdade são mais fortes para ela nesse momento. É hora de cada um cuidar de sua vida, descobrir sua juventude. Até que um dia, o acaso entra na história. É o primeiro período de luto de Daisy, representado principalmente pelas roupas negras que usa. A primeira cena de amor entre os dois marca o fim desse luto e o reinício ensolarado numa longa viagem de barco.</p>
<p class="MsoNormal" style="justify;">Daisy representa essencialmente uma mulher movida por suas paixões, mas sem ser consumida por elas. A dança é sua primeira paixão, quando esta acaba, sua paixão por Benjamin reacenderá sua vida. Quando os problemas chegam, será a paixão pela vida e pela filha que continuará movimentando-a. E mesmo no fim, Daisy prova que nunca esqueceu, nem abandonou nenhuma de suas paixões.</p>
<p class="MsoNormal" style="justify;">Como bailarina nos ensina sobre dedicação, força e disciplina. E isso será fundamental para seus momentos de luto. É uma ótima personagem feminina para demonstrar o quanto realmente queremos estar ao lado de alguém, porém, muitas vezes não queremos enxergar todas as dificuldades que existirão. Cada reencontro com Benjamin será especial e profundo, pois se dará em estações diferentes para os dois. Só há um momento em que realmente se encontram na linha do tempo e os dois sabem que não durará eternamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="justify;">O mito de Daisy pode ser o da mulher que nunca abandona o amado, mas mais do que isso, ela é a mulher que viveu sua vida sabendo se adaptar as diferentes situações que encontrou, sem nunca fugir de sua responsabilidade sobre aqueles que ama, mas também sem privar-se de seus desejos, sonhos e alegrias. Talvez sua filha Caroline não concorde com o que digo, mas é visível que apesar de amá-la também está descobrindo conosco quem é sua mãe.</p>

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