Uma conversa comigo mesma começou com a redescoberta deste texto: Amizade de Adolescente. A conversa continuou em A Amizade, Dezoito Anos Depois, e com A Tribo da Alma.
Eu tinha 14 anos. E a Nospheratt de hoje se pergunta: O que ela diria da minha casa? E de meus amigos? Das decisões que tomei, e de quem eu me tornei?
Há horas em que a tristeza não tem nome.
Eu quisera que a história fosse diferente.
Que nossos caminhos não fossem divergentes, que não nos houvéssemos afastado.
Que as mentiras fossem verdades, que aquilo que imaginei não fosse tão somente um sonho.
Que o amor não tivesse sido negado, e que abandono fosse nada mais que uma palavra.
Que houvessem risos, e segredos compartilhados, e colo e abraços.
O perdão. Perdoar a quem nos tem ofendido… Perdoar aos que nos feriram, magoaram, prejudicaram, sacanearam.
Mesmo aos que o fizeram sem dó nem piedade, com intenção, com prazer.
Aos que nos pisotearam a não mais poder, que nos transformaram em pano de chão, em trapo, em tapete de limpar as botas.
Você me disse que está triste. E aqui do outro lado, eu entendo. Creia-me que entendo, sinto, compreendo.
Eu conheço o lado escuro. A tristeza, o medo, a solidão, a incerteza. A dor.
E às vezes calo. Mas calo não como quando a alma se faz silêncio, e rio, e transborda; calo como a árvore que se curva ante a inevitabilidade do inverno, como as cores estéreis do deserto, como uma pobre criança abandonada. Calo no silêncio oco das palavras que não valem à pena serem ditas. No silêncio estúpido e bestial que…