Cobranças e Obrigações Sociais – Obrigada Mas Não, Obrigada

Não há nada tão bom para arruinar um dia “igual a todos”, numa vida que já é uma merda, como uma cobrança.

Eu acho que eu nunca mencionei isto, mas eu sou anti-social. Completa e irremediavelmente. Eu não gosto da sociedade, e a sociedade não gosta de mim. Por uma razão muito simples: eu não sigo padrões que não os meus. A maioria das convenções sociais me parecem completamente fúteis, falsas e desprovistas de sentido, e eu me recuso a me reger por elas. Sou completamente avessa à “tem que” – pra mim, realmente, “tem que” é boi de canga e pau de arrasto.

Eu detesto, odeio, abomino, obrigação social. Obrigação é uma coisa muito séria, e não cabe no “social”. Obrigação social é sinônimo de “encheção de saco que tem que ser voluntária e graciosamente aceita e suportada”. Eu não admito isso. Vai contra minha filosofia de vida. Não espere que eu cumpra obrigações sociais com você, porque você certamente vai acabar bravo comigo.

É assim, ó: se eu falo com você, se sou sua amiga, se lhe dou atenção, é porque eu gosto de você, estou de saco, senti vontade de, tive tempo. Se não lhe atendo, não lhe respondo, é por algum motivo; não tenho tempo, não deu, não estou de humor, os planetas colidiram e acabaram com minha cota diária de capacidade de relacionamento social. Eu não exijo que ninguém esteja disponível para mim, não me ofendo quando recebo um chega pra lá (seja explícito ou implícito, temporário ou permanente) e não aceito que exijam essas coisas de mim.

Tenho recebido muitas cobranças ultimamente. Provavelmente, porque tenho estado ausente, mais isolada e silenciosa que de costume. Isso porque estou passando por uma fase muito ruim, muito ruim mesmo. Mas como eu não gosto de me queixar, e não costumo comentar meus problemas com ninguém, as pessoas assumem que eu estou sendo “descortês”. E ficam bravas comigo.

Nenhuma das pessoas que vieram me cobrar, me perguntou: você está com algum problema? Aconteceu alguma coisa? Não que eu ache que ninguém tem que me perguntar nada, ou se preocupar comigo. Mas não entendo porque as pessoas assumem que estou sendo má, sem perguntar qual é a razão do meu comportamento. Se você não está interessado nas minhas razões, tudo bem, sem stress; só não me encha os pacovás.

Na verdade, é muito mais fácil pensar “fulano é um FDP antipático, não falou comigo, não respondeu meu email” do que pensar “Puta, fulano sempre foi legal comigo, o que será que aconteceu para que ele esteja tão diferente ultimamente?” Quando alguém me bate a porta na cara, a primeira coisa que eu penso é: “o que será que eu fiz, que desagradou essa pessoa?” Eu costumo assumir que o erro foi meu, e tento descobrir o que foi. A seguir, eu pergunto diretamente.

Mas a graça é que conheço muito poucas pessoas que seguem a mesma linha. E menos pessoas ainda gostam de sinceridade. Mais de uma vez, alguém veio me cobrar porque eu não respondi, não apareci, não fui, não fiz. Aí eu digo: “Sinceramente, me desculpe, mas estou na maior merda, não me sinto em condições de (insira obrigação social aqui)”. E sabe o que acontece? A pessoa se ofende! E fica mais brava ainda.

Eu não tenho saco pra lidar com esse tipo de frescura. Cacete, eu não sou tão importante assim na vida de ninguém (excetuando minha família), nem que o mundo fosse acabar porque eu não fiz o que se esperava! Ninguém precisa de mim pra merda nenhuma, e nunca deixei na mão alguém ou alguma coisa que realmente precisasse de mim.

Eu não aturo ninguém, mas também não peço que ninguém me ature. Eu sou o que sou e como sou, evito ao máximo possível encher o saco de meus semelhantes, não tenho porque me rasgar em tripas para atender obrigações sociais e cumprir papéis que outras pessoas imaginaram para mim. Que não me dizem respeito, que vão contra minha forma de ser e contra tudo que eu acredito.

Obrigações sociais são hipócritas, principalmente quando são colocadas acima das verdadeiras necessidades humanas. Eu sempre escolho a verdade, a sinceridade, a humanidade. Há um preço a pagar por isso, é claro. Mas prefiro pagar o preço, do que viver acorrentada.


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Nospheratt

Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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6 Comentários em “Cobranças e Obrigações Sociais – Obrigada Mas Não, Obrigada”

  1. Jorge Monteiro says:

    Oi,

    Amei sua sinceridade e frontalidade.
    Deixo uma dica muito sincera do charlie chaplin. Espero que você goste como eu gostei …

    “Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
    Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
    Já abracei pra me proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.
    Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, “quebrei a cara” muitas vezes!
    Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaxonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta felicidade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
    Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida … e você também não deveria passar! Viva!!!
    Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante.
    Charlie Chaplin”

    klub24

  2. Nospheratt says:

    Oi! Muito obrigada por compartilhar esse texto, gostei muito. Principalmente do último parágrafo. :)

    Mas você não deixou o endereço do seu blog… :(

  3. Jorge Ferreira says:

    Desculpa,

    Inda sou um newbie no que diz respeito a blogar.

    O meu blog, feito há 2 meses, é sobre jogos gratis online (arcade).

    Foi uma experiência. Sou tec de hardware (MCP e MCSA) e pouco sei sobre blogs.

    Mas tenho aprendido bastante com seus outros blogs, sobre adsense e hacks para o blogger.

    Quanto a este seu blog, mais pessoal, gostei da sua sinceridade e frontalidade. Aprecio bastante isso.

    Meu blog:
    http://klubdojorge.blogspot.com

    Continua a blogar, pois as pessoas com vontade de ensinar os outros são de louvar.

    Abraços,

    Jorge

  4. maristela says:

    Na mosca: concordo com esse peso do social, a falsa-cortesia, o bom-dia entre dentes. É como trabalhar de terninho pret e salto 7 numa sala sem luz natural e chefe imbecil! Já vivi isso – e não faz muito. Nunca mais! Melhor lavar-pratos e rir no parquinho do bairro.
    abs
    ]maristela

  5. Nospheratt says:

    Jorge Ferreira: Obrigada, você é muito gentil! Continuarei, sim. :)

    Maristela: Ufa, podes crer! Eu NÃO AGUENTO essas m*rdas, sabe? Muito melhor lavar pratos, MESMO!

    Beijos!

  6. ana maria says:

    Oi, gostei mito do seu texto,sinceridade é tudo de bom.Eu tenho um posicionameno parecido!O mais louco de tudo é a pessoa ainda se ofender.Coisa esquisita. Acho que eu sou de outro mundo.
    Namastê.

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