Daisy Fuller de O Curioso Caso de Benjamin Button

(Imagem: Divulgação)

A primeira coisa que lembro ao pensar em Daisy é o vermelho de seus cabelos. São encorpados como nos comerciais de xampu. Desde a primeira vez que Benjamin a vê, quando os dois têm por volta de sete anos, ele se apaixona. Daisy demora um pouco mais a compreender seus sentimentos, mas cresce sabendo que há uma ligação forte, sempre ansiando revê-lo ou ler seus cartões postais. Outra característica de Daisy, que Cate Blanchet soube tão bem mostrar é o olhar. Há cenas extremamente especiais: a maneira como Daisy olha para Benjamin quando mergulham, quando ele deixa na cabeceira um bilhete e quando está em seu colo. São os olhos que exprimem prazer, indignação, medo e identificação. Até mesmo a leitura do diário é um novo olhar sobre a história dos dois.

O fato de o filme contar a vida inteira de Benjamin Button, um homem que nasceu velho e rejuvenesce a cada dia, traz de brinde vários momentos da vida de Daisy, uma mulher retratada em várias estações. Quando pequena é esperta, curiosa e aventureira, pois está sempre pronta a se meter em barcos desconhecidos com Benjamin. Na fase de brilho como bailarina famosa, moderna e espirituosa, é pura energia nas apresentações, ensaios e no vestido vermelho que usa para jantar com Benjamin. Sua mente ferve, seu magnetismo é contagiante, mas não há espaço para que os dois se encontrem. A independência e liberdade são mais fortes para ela nesse momento. É hora de cada um cuidar de sua vida, descobrir sua juventude. Até que um dia, o acaso entra na história. É o primeiro período de luto de Daisy, representado principalmente pelas roupas negras que usa. A primeira cena de amor entre os dois marca o fim desse luto e o reinício ensolarado numa longa viagem de barco.

Daisy representa essencialmente uma mulher movida por suas paixões, mas sem ser consumida por elas. A dança é sua primeira paixão, quando esta acaba, sua paixão por Benjamin reacenderá sua vida. Quando os problemas chegam, será a paixão pela vida e pela filha que continuará movimentando-a. E mesmo no fim, Daisy prova que nunca esqueceu, nem abandonou nenhuma de suas paixões.

Como bailarina nos ensina sobre dedicação, força e disciplina. E isso será fundamental para seus momentos de luto. É uma ótima personagem feminina para demonstrar o quanto realmente queremos estar ao lado de alguém, porém, muitas vezes não queremos enxergar todas as dificuldades que existirão. Cada reencontro com Benjamin será especial e profundo, pois se dará em estações diferentes para os dois. Só há um momento em que realmente se encontram na linha do tempo e os dois sabem que não durará eternamente.

O mito de Daisy pode ser o da mulher que nunca abandona o amado, mas mais do que isso, ela é a mulher que viveu sua vida sabendo se adaptar as diferentes situações que encontrou, sem nunca fugir de sua responsabilidade sobre aqueles que ama, mas também sem privar-se de seus desejos, sonhos e alegrias. Talvez sua filha Caroline não concorde com o que digo, mas é visível que apesar de amá-la também está descobrindo conosco quem é sua mãe.

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Srta. Bia

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4 Comentários em “Daisy Fuller de O Curioso Caso de Benjamin Button”

  1. Lu Monte says:

    Bela estréia, Srta. Bia!! \o/

    Confesso que fiquei com raiva da Daisy em alguns momentos do filme. Parecia fria, dura demais, até mesquinha. Claro, com o correr da história, fui vendo que não era bem assim…

    Estou devendo uma resenha desse filme pro diadefolga, acho que amanhã eu pago. :)

  2. Nossa, muito bom. Não vejo problema em se dedicar intensamente a um amor… A uma paixão talvez, mas para o amor não. Acho que quando você não se dá por completo não se têm por completo também.
    O ser humano tem essa capacidade. Aprender a conviver com as diferenças e estar disposto a mudar, assim, não é todo mundo que tem essa disposição… Pensando bem, pouca gente tem essa capacidade na verdade.
    (me perdi)
    Enfim, muito bom!

    Amém.

  3. Teu olhar sobre a Daisy é inspirador, Bia! Fiquei em outro canto da história, que não sabia ser do Fitzgerald, confesso. Cate, pra variar, gruda meu olhar na tela. Que força esta mulher tem para encarnar os diferentes femininos, não?
    Pronto, vou escrever inspirada por ti. O próximo texto é procê, tá?
    bj

  4. Srta. Bia says:

    Respondendo:

    Lu Monte, a Daisy, principalmente quando jovem é uma mulher muito egoísta, mas para ela é um ponto positivo. Afinal, ela queria ser uma grande bailarina, sua paixão por Benjamin não iria impedí-la.

    Thiago, muito bom o que você disse: Acho que quando você não se dá por completo não se têm por completo também. Daisy sabe que é reponsável por Benjamin, até porque dentro dela prometeu nunca abandoná-lo por completo.

    Lu Freitas, para mim a Daisy é a melhor coisa do filme, é realmente uma mulher inspiradora. E a Cate complementa ela de uma maneira única. E que chique, já virei inspiração para post!

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