Elizabeth Gilbert é real. Jornalista e autora de Comer, Rezar, Amar que está nas listas de mais vendidos há um bom tempo. O livro é o relato de sua experiência pessoal durante o período em que viajou por três países: Itália, Índia e Indonésia. Em uma busca por autoconhecimento, espiritualidade e amor, Elizabeth acaba tornando-se personagem.
Confesso que torço o nariz para best-sellers, preconceito bobo. Minha terapeuta deu-me de presente e disse: “Acho que vai gostar”. O slogan do livro é o que primeiro chamou minha atenção: “Seja também a heroína de sua própria jornada”. É uma frase convidativa, mas óbvio que o livro é taxado de auto-ajuda, cada um faz o julgamento que quiser. O que admiro em Elizabeth e quero contar a você é o quanto uma mulher precisa se descobrir para adentrar o mundo dos prazeres.
O estopim de Elizabeth foi o fim de seu casamento e um divórcio extremamente doloroso, que parecia não ter fim. Foi nesse momento que veio seu primeiro contato pessoal com a espiritualidade, sua intuição, Deus ou com qualquer outro nome, num momento de profundo desespero ela acordou e percebeu que precisava mudar sua vida. E isso sempre é uma decisão difícil, pois significa sair da zona de conforto, abandonar o que é comum e abrir caminho para o novo. É preciso coragem e nem sempre vem fácil.
Para algumas pessoas é difícil ter empatia por Elizabeth, pois ela tira um ano sabático para viajar e viver apenas seus estudos. O ócio não é visto com bons olhos e a Índia talvez seja mística demais para outros. Há muitos clichês, mas a vida muitas vezes é uma série de coincidências, não é mesmo? Devorei as mais de 100 contas em poucos dias e encarei cada novo capítulo como pequenos passos para iniciar transformações.
Na Itália ela come. Engorda e sente-se bem com isso. Sente-se alimentando a alma com comida e o italiano. Com o prazer da gula e os sentidos que uma língua latina provoca em seu cotidiano. É preciso amor no início dessa viagem, é preciso acreditar em si e se aceitar. São prazeres básicos que reaprendemos a nos dar. Difícil ver alguém que engorda e fica feliz, mas não podemos duvidar de nada quando se trata do ser humano. Faz também novos amigos, passeia por diversas cidades e experimenta, aguça o paladar. Quando experimentamos algo pela primeira vez deve-se apreciar o cheiro, a aparência e o sabor, não sejamos tímidas ao nos entregar aos sentidos. Primeiro passo: desenvolvimento dos sentidos e auto-estima em alta.
Na Índia ela medita. Isola-se em um ashram no interior do país. Seu crescimento espiritual ocorre por meio de catarses e questionamentos. É hora de deixar para trás sentimentos ruins e nossas amarras invisíveis. Olhar para dentro de si, concentrando-se e redescobrindo quem você realmente é. Se isso não for possível, descubra ao menos o que você realmente quer. É aqui também que Liz conhece um dos personagens mais carismáticos da história: Richard do Texas. Durante a vida pessoas especiais cruzam nosso caminho simplesmente para nos mostrarem outros ângulos de uma mesma situação e nos forçam a mudar, aceitar e reagir. Muitas vezes vão embora da mesma forma que entraram. Ela agora está inteira, presente de corpo e alma dentro de si. Segundo passo: reflexão e a reconstrução pessoal.
Na Indonésia ela ama. É o epílogo e também o retorno. Algum tempo antes dessa viagem Liz havia ido a Bali e tinha conhecido um guru que previu sua volta. O objetivo é reencontrar o guru e com ele aprender e usar todo seu conhecimento recém adquirido para construir uma nova vida. Um mergulho na cultura balinesa, seu povo e seus costumes. Uma nova amiga especial, a curandeira Wayan e o brasileiro Felipe. Os passeios de bicicleta, as conversas animadas entre mulheres e o sexo com Felipe são a concretização de seus desejos. É preciso permitir que o amor chegue até nós, eliminando barreiras. O reequilíbrio emocinal tem como principal consequência, o amadurecimento e a possibilidade de relacionamentos francos e saudáveis. Terceiro passo: a entrega ao novo.
Elizabeth é uma mulher moderna, dona de seu nariz e que encontrava-se perdida numa vida que não lhe trazia prazer. E quando falo de prazer, não estou chamando isso de felicidade eterna. Estou afirmando que cada um deve procurar aquilo que lhe dá prazer, como uma maneira de tornar-se uma pessoa melhor e de tornar a vida mais simples. Elizabeth poderia ter viajado pelos Estados Unidos, poderia ter encontrado pessoas especiais em algum grupo de tricoteiras, ou feito apenas um curso de meditação. O prazer é adquirido por meio do autoconhecimento e isso não tem endereço, nem receita, depende apenas de você descobrir o que realmente deseja. Na maioria das vezes são coisas bem simples e que também envolvem conhecer pessoas que nos ajudam a crescer. Pois nada é fácil, seja um divórcio, um novo amor, morar sozinha ou o crescimento dos filhos. Os três passos que explicitei são um caminho simples para provocar mudanças. Porém, o importante é abandonar a inércia, parar de esperar pelos outros e ser a heroína de sua própria história. E isso não é clichê, é uma verdade necessária.
Leia um trecho (em .pdf) do livro.
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Srta. Bia Escreve cartas, joga gamão, lê a sorte no danoninho e faz amarrações para o amor.
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Ganhei esse livro de amigo oculto e adorei!
Devorando aos poucos. rsss
Bjo
Eu tb já li e depois dei de presente. Muito bom.
Linda resenha, Bia – e bela conclusão. Será que eu consigo ler abstraindo a questão mística?
Ganhei o livro e gostei de algumas coisas, mas outras eu achei demais, sabe?
Ao terminar de ler pensei que não estava na época certa para ler e resolvi guardá-lo para uma revisão no futuro.
Vamos ver…
Senhorita Bia,
Linda resenha! Adorei também a do filme do Buttom.
Acho que vou comprar esse livro. Também sou preconceituosa com best seller, mas esse me pareceu bom.
Parabéns!
Beijos
Amanda
Oiii…adorei seu texto e estou na metade do livro!
Estou amando esse livro,me identificando totalmente com as passagens,
Beijos,adorei seu blog!