Eu vi a “minha” velha no espelho

Eu vi a “minha” velha no espelho

Regina Favre - zigzag

Em um dia de janeiro deste ano de 2009, ao sair do banho e começar a deliciosa rotina de cremes, eu vi outra Lucia no espelho. Uma Lucia velha mesmo, com rugas, muitos outros anos que ainda não vivi… Fiquei emocionada, pois sei que vi a semente da mulher velha que um dia serei.

Eu não me assustei, tenho certeza, porque estudo, há sete anos, com a Regina Favre. Inspirada no trabalho de Stanley Keleman, esta filósofa se tornou terapeuta corporal lá pelos idos de 73. A Regina foi minha terapeuta, é minha parceira, professora e também cliente. A gente tem uma união produtiva, de onde disparam muitas coisas – inclusive um modelo de mulher mais velha.

Dona de um estilo próprio, fundada em suas próprias descobertas e encantamentos, a Regina é uma mulher que me inspira a amadurecer em paz. Mais que a minha mãe ou qualquer outra mulher além dos 60. Ela é forte, auto-sustentada, dona de um estilo para lá de próprio, como vocês podem notar na foto que ilustra este post… É um bom modelo de muito do que desejo pra mim no futuro (nem tão distante) e que tento plantar a tanto tempo, com tantos erros.

Lá no Laboratório a gente sabe que o ser humano é feito de camadas, uma complexa sinfonia em que tudo tem seu lugar, sua hora, seu jeito – e é construído de acordo com partes diversas: o herdado (genético), o social (ensinado) e o pessoal (o que a gente faz com a mistura de tudo isso). Atravessa esta construção não apenas o ambiente em que crescemos como o próprio crescimento em si. Sim, a vida tem marcos e carregamos em nós o seu registro: do útero à tumba, nosso destino.

Engraçado que me ver velha no espelho não lembrou túmulo. Para quem tem dificuldade com o assunto morte, recomendo fortemente Viver o Seu Morrer, de Stanley Keleman. Ver minha semente de velha, me fez ver que está a caminho uma nova fase. Depois de ser bebê, criança pequena, criança grande, adolescente, adulto alfa e, agora, adulta madura, estou a caminho do último terço de vida. Que vai conviver e completar cada uma destas fases que já vivi.

Foi doce e emocionante encontrar a MINHA velha. Foi um disparo para buscar a palavra que vai embalar este ano de 2009: conquista. Quero conquistar auto-sustentação, equilíbrio financeiro e bem-estar físico-psíquico-emocional. Parece pouco, mas quem me conhece sabe a minha capacidade de resumir as coisas.

(post escrito embalada por TomZé, Danç-eh-a Ao Vivo, mais de 70, sensacional, que desci de graça no AlbumVirtual da Trama – infelizmente já esgotou).

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Lucia Freitas

Lucia Freitas Mulher, blogueira e jornalista. Escreve muito. Seus assuntos preferidos? Quase tudo. Adora uma boa discussão, conversar com amigos, novidades, gadgets.
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4 Comentários em “ Eu vi a “minha” velha no espelho ”

  1. tatiana says:

    PArece pouco? pois pra mim isso é tudo.

  2. Lu Monte says:

    Ah, a minha morte não me preocupa. No que diz respeito a mim, o que me assusta é a eventualidade de tornar-me inválida, dependente.

    Agora, a morte de pessoas queridas… aí, são outros quinhentos.

  3. Arrepiei com este post! Maravilhoso!

  4. tatiC says:

    Lucia!….. que lindo! de arrepiar mesmo!
    nossa! emudeci :)
    grande abraço!

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