Guichê de Reclamações? A Última Porta do Inferno, à Esquerda, Obrigado.

Como todos os anos, eu havia esquecido. Como todos os anos, ele me pegou desprevenida: agosto, mês do desgosto. Vocês acham que é piada?

Há cinco anos, eu venho estudando cuidadosamente o assunto; e os resultados do estudo são inegáveis. Agosto é, para mim, mais do que o mês do desgosto, o mês das desgraças. Os piores eventos do ano ocorrem sistematicamente em agosto. Demissões, separações, todas as merdas possíveis e imagináveis; desde ficar sem luz e sem água (!!) durante um feriado extenso (devido a um erro alheio), até ficar sem casa – no olho da rua, mesmo… Além de outras coisas que não quero nem lembrar.

O ano passado a coisa assumiu proporções bíblicas: além de todos os problemas pessoais, o dia 23 de agosto trouxe uma tormenta de vento que foi classificada como “ciclone extra-tropical”. O vendaval causou destroços impressionantes em toda a costa do Uruguay e derrubou metade das árvores da zona. Os serviços de luz, televisão a cabo, água e telefone estiveram cortados em vários lugares durante até dez dias; carros voaram e casas ficaram sem teto (a da minha mãe inclusive). Quem ainda achar que estou brincando, pode procurar informação na Internet e ver as fotos.

Talvez eu seja um pouco egocêntrica (ou megalomaníaca), mas estou certa de que o ciclone foi enviado específicamente para mim. Os outros seres humanos afetados foram meras vítimas desse joguinho perverso que o Cosmos joga contra mim.

Este ano a coisa já começou, com problemas que nem sequer vou mencionar. E continuou com o que sim vou contar, e que é a razão deste post. Vejam só a notícia que recebí ontem: estou sem Internet em casa até setembro. Imaginem minha cara de felicidade!

Explico: aqui por estas bandas existem somente dois serviços de conexão dedicada. Há um ano havíamos contratado um deles, o qual cancelamos ao vencer o contrato. Porquê? O serviço deles é uma porcaria (depois do vendaval do ano passado estivemos uma semana sem conexão, por exemplo), principalmente na parte de atenção ao cliente. Se você é cliente deles e tem um problema, você não liga para a assistência técnica; você vai à Igreja, e acende uma vela para o santo das causas impossíveis. É certo que ele resolve seu problema antes que a empresa. Quem não é católico, vai a um terreiro de umbanda, ou a um centro espírita, tomar uns passes de descarrego.

Enfim. O contrato venceu sexta-feira. E aí eu entendi o porquê da morosidade da assistência técnica: eles guardam toda sua eficiência para cortar o serviço, quando um contrato é cancelado (e pelo que sei, eles têm estado muito ocupados com essa parte, apesar de todas as dificuldades que colocam para a cancelação). Sábado já éramos Internet-Free.

Ontem, fomos à outra empresa, assinar o novo contrato. Tudo em ordem, sejam bem-vindos novos clientes, estamos estáticos de felicidade por tê-los conosco, durante a semana ingressaremos o contrato e informaremos a data da instalação do serviço. Então eu, que sofro de “inocência galopante”, pergunto para a moça (tão simpática ela) quando ela supunha que seria isso: Quinta? Sexta? E ela, sorrindo:

-Ah, agora, para os contratos novos, estão dando data para SETEMBRO.
-… (insira aqui a cara de felicidade)
Pois é. Não tem choro nem vela. Essa nem o bispo resolve.
Aí você pergunta: E cê não ouviu falar em módem, não, minha fia?
Resposta: Em primeiro lugar, eu não tenho módem. Marido prometeu que vai arranjar um, MAS…
…em segundo lugar, neste paisinho de araque, a conexão por módem é ridículamente cara. É mais cara do que uma conexão dedicada de 256k, que custa a exorbitância de 40 dólares por mês. Deu pra sentir o drama?

O que me resta é ir a um cyber café, coisa que eu abomino. Nunca me acostumei ao desconforto e à falta de privacidade; sem falar no fato de que geralmente os cyber usam essa mesma conexão de 256k, divida entre 10 PC’s. Isso pra não mencionar que está chovendo baldes de água, e eu já tomei banho de chuva fria ontem.

Resumindo: agosto, mês do desgosto. Parafraseando um ditado em espanhol:

“En agosto, no te cases ni te embarques, ni de tu conexión dedicada te apartes.”

E hoje recém é dia oito. Tremo só de pensar no que mais vem por aí.

Update: estou no cyber. Buááááá. Eu quero me enforcar! Já percebi que isto, como era de se imaginar, vai ser pior do que eu imaginava. Bléh. E ainda por cima, obviamente as visitas caíram, por causa dos dias sem novidades. Buáááá!!!

Ah, update 2: as coisas já começaram a piorar. Se eu chegar até o fim do mês, vou abolir agosto do calendário. Juro que vou!

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Nospheratt

Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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