Quanto tempo pode separar ou apagar o amor de uma irmã? É esse sentimento que dá título a um filme arrebatador que nos faz pensar sobre perdão, amor, culpa, coragem e esperança. E quem nos ensina tudo isso são duas irmãs, mais precisamente Léa, a irmã que não desiste de Juliette, que a quer ao seu lado, compartilhando bons e maus momentos, reconstruindo sua vida e seus elos. Porém, assim como nós, Léa não conhece Juliette. Quem é Juliette? De onde veio Juliette? Por que nunca ouvimos falar de Juliette? O que quer Juliette? Léa a ama sem saber nenhuma dessas respostas e a ama há muito tempo.
Léa corre, se esforça, se irrita, chora e defende Juliette. E também quer descobrir quem ela é. Nosso primeiro encontro com Juliette é intermediado por Léa. Ela está afobada, enquanto Juliette fuma um cigarro sem pressa, porém, apreensiva. Quem é Juliette? É uma mulher que passou quinze anos na cadeia. Por que ela não tem um emprego? pergunta a filha mais velha de Léa. Quanto tempo ela vai ficar? Pergunta o marido de Léa. O que você fez para ter passado quinze anos na cadeia? Pergunta o dono de uma empresa numa entrevista de emprego. Por que você não disse nada no tribunal? Pergunta a assistente social. Por que você não nos contou? Pergunta Léa. A cumplicidade surge com um homem que nada fala, Juliette nunca falou sobre o assunto, prefere não falar, deixou-se abandonar.
Não posso lhe contar o que Juliette fez. Também não posso contar porque ela o fez. O segredo revela-se lentamente. O filme é tenso e possui certo suspense durante toda sua projeção. Porém, a esperança está a espreita nas reuniões com amigos, nos encontros com o delegado ou nas afinidades com um possível affair. A vida tem grande possibilidade de renascimento quando se conta com pessoas que querem nos ajudar nessa dura jornada. Nesse ponto o filme parece muito simples, muito conto de fadas, mas a dor permanece. Juliette morreu e apenas sua irmã lembra de quem ela era, mas nenhuma das duas sabe dizer quem ela é depois desses quinze anos. É essa fraternidade que guiará Juliette e a fará agradecer, num “Merci” recheado de amor, como se não pudéssemos imaginar que um dia teríamos um pedaço de quem éramos novamente. Dessa maneira Juliette passa a enxergar vida novamente, essa que nos conduz de diversas maneiras, muitas vezes sem sabermos como agir ou sem conseguir compreender sua complexidade, com tantas possibildades que não podemos impedir ou com sua ironia forçada ao nos reencontrarmos com aqueles que nos tornaram invisíveis.
O filme tem cenas de pura ternura como os banhos de piscina, o piano ou todas as cenas em que as filhas de Léa
aparecem. As roupas de P’tit Lys iluminam nossos olhos. E é a pequena Emelia com sua curiosidade que nos traz um papel definitivo para a história. A música, o sol e os casacos tudo encontra-se muito harmônico, formando belos quadros. Até mesmo os lábios apreensivos de Juliette são personagens, a maneira como suas roupas e sua feição mudam. Léa não julga sua irmã e parece saber desde o início que nunca irá condená-la, apesar da atitude da irmã ter tido consequências em sua vida. No fim, chega o momento em que Juliette nos diz todas as respostas. Coloca-se inteira e vulnerável. Léa não tem dúvidas, imagino que eu também não teria. O amor muda tudo, o amor nos une e nos faz até mesmo compreender o que alguém foi capaz de fazer. Talvez você discorde, é claro, mas esta sou eu enxergando pelos olhos de Léa, uma irmã que não perde a chance de continuar amando.
Il y a longtemps que je t’aime – Trailer
Imagens: Divulgação
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Srta. Bia Escreve cartas, joga gamão, lê a sorte no danoninho e faz amarrações para o amor.
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A resenha já me deu vontade de chorar. Barbaridade. Eu ainda não consegui ver. ;o)