McExpiação

Se este é um espaço para confessar pecados, então também devo falar da expiação dos pecados, não é? Dos castigos e torturas que suportamos, e que diminuem a dívida no “kredi-karma” (acho que o copyright é da Zel). Pois então?

Terça-feira, devido a circunstâncias que não vem ao caso, me vi, desavisada e involuntariamente, num McDonalds cheio de crianças e seus respectivos pais (leia-se mães, pois os pais geralmente não tem paciência para tal esporte). Tão cheio, que foi difícil encontrar uma mesa onde pudéssemos sentarnos, enquanto esperávamos que nossa sobrinha se divertisse no “Play Place”. Para quem nunca se viu nessa situação, meus parabéns: você é um felizardo. Quem já passou por isso, conhece o horror da situação: a gritaria ensurdecedora e incessante, as barbaridades que as crianças fazem sob o olhar cansado e indiferente dos adultos, as inumeráveis vezes em que você é empurrado, pisoteado e atropelado, a sujeira nas mesas e pelo chão.

Estou eu lá, apertada em uma mesinha contra a parede, maldizendo a hora em que aceitei acompanhar minha sobrinha, tendo esquecido que era semana de férias… e meus pensamentos se voltaram para o lado filosófico-religioso da vida. Porque como eu sempre digo, esse “programa de indio” de ir ao McDonalds e lugares semelhantes, em dias e horários em que estão abarrotados de gente, vai contra minha religião. Sou contra todo tipo de comportamento de manada, ao qual o restante dos seres humanos parece ser tão afeito. Ninguém mais parecia se incomodar com a barulheira, ninguém protestava contra os empurrões, ninguém parecia incômodo com a proximidade forçada e a falta de espaço. Eu tenho horror de multidão; podem me chamar de esnobe.

As crianças nos brinquedos gritavam (gritavam, gritavam), pulavam, se atropelavam, suando. As mães, do outro lado das grades, mostravam uma paciência (Indiferença? Resignação?) inacreditável, cheias de sacolas, casacos, sapatos, e também gritavam. E eu pensava: se algum dia eu tiver filhos, não vou passar a fazer parte desse time de mães. Filho meu não vai brincar no Play Place, não vai me arrastar a lugares abarrotados de gente, não me obrigará a esperar, durante uma hora, sentada numa mesinha minúscula, enquanto ele se debate com outros mini-índios. Acho inaceitável e ridículo fazer parte dessa cultura de massas (olha o esnobismo aí de novo), se submeter à tirania infantil, movida pelo consumismo e a moda.

Meus pais nunca assumiram esse tipo de comportamento, e eu sou um ser humano educado, respeitoso e decente – provavelmente muito mais do que essa geração McDonalds chegará a ser algum dia. Podem dizer que os tempos são outros, que as coisas mudaram, e blá-blá-blá: o Play Place e lugares afins só ensinam as crianças a viver como manada, como bichos, amontoados, selvagens e sem noção de respeito – pelas outras crianças. pelos pais e pelos estranhos.

A única serventia desse esporte, é que suportar essa tortura durante uma tarde inteira, certamente conta pontos de expiação…Mas acho que ainda prefiro ir para o inferno. Deve ser menos barulhento.

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Nospheratt

Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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Um Comentário em “McExpiação”

  1. .:: §@#T ::. says:

    crianças são terríveis! acho que dos 4 aos 12 anos deveriam ficar em colegio interno! antes eu pensava que só os meninos eram atentados o suficiente pra “brincarem” de correr e se fogar escorregando pelo chão do shopping mas meninas tb podem ser muito assustadoras…

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