Infelizmente perderam-se nas dobras dos Tempos quase todos os chamados ritos iniciáticos ou “de passagem”, onde as mulheres mais velhas e mais sábias ensinavam as mais jovens sobre a forma de atravessar as diferentes etapas de seu desenvolvimento feminino.

Afortunadamente nos últimos trinta anos nós mulheres começamos a “retornar às nossas origens, às fontes reais de nosso conhecimento interior”, reconhecendo e apreciando nossos atributos verdadeiros.
Para que possamos nos beneficiar deste retorno devemos dançar a Vida, seguindo seus pulsos e impulsos em cada etapa biológica feminina; pois cada uma delas tem seu próprio ritmo.
O corpo da mulher contêm a possibilidade de nutrir e renovar todas as coisas, e o fato de deixarmos de menstruar não elimina essa possibilidade.
Mas para fazer uso dela antes é preciso aprender a perceber que na menopausa temos a oportunidade de nos experimentar de una forma renovada e profundamente poderosa, pois podemos deixar para trás a confusão e os temores gerados pela pressão da cultura na qual vivemos, e nos abrir à verdade que habita em nosso mundo interior, usando o Poder do Sangue que agora fica “retido” para criar harmonia no mundo ao nosso redor.
Normalmente o climatério se apresenta entre os 40 e os 50 anos; nesta etapa que precede a menopausa começam os famosos “calores”, as menstruações ficam irregulares e já não podemos confiar na periodicidade dos ciclos, pois o sistema hormonal está passando por uma grande transformação.
A duração deste processo pode demorar vários anos para estar completo, fato que acontece quando os ovários alcançam seu repouso definitivo; enquanto isso os ” calores” nos atormentam tanto de dia quanto de noite.
Certamente as que já passaram por isto – ou as que ainda estamos neste processo – devem lembrar uma noite na qual acordaram com a sensação de que estavam dentro de um vulcão, e que ao mesmo tempo a boca desse vulcão era bem no lugar do plexo solar, ou seja na boca do estômago.
Parece que estivesse havendo um incêndio dentro de nós, gerando um calor intenso que nos percorre por dentro como um rio de fogo, indo pelos braços e pernas para finalmente chegar na nuca e dali explodir para o resto da cabeça; depois disso começa um suor que banha todo o corpo; e a seguir sentimos frio.
Essa noite, esse episódio, marcou em nossa vida o fim da fertilidade e o começo de uma bela, nova e maravilhosa etapa de produtividade e criatividade pessoal.
É fundamental nesta etapa prestar muita atenção a estas sensações, relaxar – tanto quanto seja possível – toda vez que o “incêndio” começar, e conversar com as pessoas que convivem com nós sobre o que está nos acontecendo, para que eles possam compreender, nos acompanhar e nos dar o apoio necessário.
Algumas mulheres poderão sentir a necessidade de consultar um médico; será melhor se for um homeopata, pois eles compreendem a natureza destes acontecimentos e por isso tem condições de ajudar a mulher que está no final de seu processo de fertilidade biológica.
Obviamente será preciso encontrar um profissional da saúde que se disponha e acompanhe este processo sem intrometer-se quando não for necessário.
Por anos, as mulheres acumulamos uma grande quantidade de resíduos que circulam em nosso organismo resultantes de movimentos hormonais muito intensos; estes resíduos são eliminados na fase da menopausa através dos calores e do suor posterior a eles.
A sabedoria de nosso corpo usa o fogo do calor interno e a água do suor para eliminá-los; como podemos ver nada é por acaso ou porque sim, tudo faz parte de uma ordem natural, e por isso ao contrário de suprimir os “sintomas” com remédios receitados por alguém que obviamente não entende nada de ciclos femininos – ou seja, ao contrário de impedir nosso corpo de se purificar – o melhor que podemos fazer é acompanhar este processo com sabedoria, entendendo e aceitando o que nosso corpo nos ensina, procurando formas naturais de suavizar os desconfortos.
A nenhuma mulher em sã consciência lhe ocorre interromper de propósito sua menstruação, muitas vezes nem mesmo as que padecem de tpm ou de dores nos ovários; então, porque para a sociedade atual parece normal e correto interferir de forma tão violenta na etapa da menopausa?
Mesmo que estes conceitos estão mudando hoje, pois a medicina (?) moderna está colocando à disposição do publico feminino medicamentos tanto para suspender a menstruação como para suprimir os desconfortos da menopausa, não podemos deixar de pensar se estas “soluções” que nos são oferecidas de bandeja realmente nos beneficiam.
Em princípio pode parecer que sim, mas… o que seremos então? O que nos tornaremos se negarmos tudo aquilo que nos faz Ser-mulher?
As consequências destes abusos não somente serão sentidos com o passar dos anos pelas mulheres que os praticarem, como as gerações futuras é que pagarão o preço por ele, e ainda nem sabemos qual será.
Porque impedir o corpo de seguir seu processo natural?
No princípio da menopausa a intensidade e a frequência dos calores vai num crescendo para depois, com o passar do tempo diminuir, atestando claramente que o organismo já se depurou; e assim nesta “dança” vão se abrindo um sem fim de novas possibilidades: a sexualidade pode ser vivida de forma mais livre e prazeirosa porque o fantasma de uma gravidez não planejada ficou no passado; o fato de não sangrar mais nos libera de algumas preocupações práticas relacionadas com o assunto.
Além do mais, nesta etapa dispomos de uma quantidade extra de energia física e psíquica que estava sendo totalmente utilizada em nossos hormônios.
Este último Portal nos conduz à sabedoria e à espiritualidade, pois que recorremos um longo caminho, no qual vivemos e experimentamos muitas coisas; sendo assim estamos mais que aptas para aconselhar, compreender, acompanhar e guiar as mulheres que estão seguindo nossas pegadas, como nós seguimos as de todas as mulheres que nos precederam.
Nos próximos posts publicarei um Rito de Passagem para a menopausa e outras formas naturais de vivenciar esta fase de nossa vida, assim como a vivência desta etapa nas sociedades antigas e o conhecimento que nossas antepassadas nos legaram.
Imagem: onkel wart
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Debora,
Achei seu artigo maravihoso, pois deixa uma mensagem positiva de aceitação das etapas da vida.
A maioria das mulheres (80%) pode contar com uma nova etapa de diferentes alegrias, no entanto há aquelas para quem a menopausa é doloridíssima porque traz junto uma perda quase total de energia, déficite de memória, enxaqueca, depressão, labitintite e outras mazelas. E pior, são anos e anos de sofrimento, que médico algum consegue tratar completamente. É preciso muita fé em qualquer coisa, para esperar a lenta melhora e crer num futuro mais luminoso.
Essas são heroínas silenciosas,de quem ninguém ouve falar, no entanto seguem em frente com uma bandeira num estandarte: EU AMO A VIDA.
Parabéns! Fraternal abraço. Laura
Muito bom esse artigo. Sempre tive a intuição que não deveria fazer reposição hormonal quando chegasse à menopausa. Paz e bem.
Muito bom esse artigo. Sempre tive a intuição de não fazer reposição hormonal quando chegasse à menopausa. Paz e Bem.