O Pecado da Preguiça

O Pecado da Preguiça

Elogio da Preguiça

Quem inventou que a preguiça é um pecado capital não sabia viver. A preguiça é um bem necessário, isso sim.

Essa virtude injustiçada serviu de inspiração para grandes invenções: controles remotos, camas enormes, lençóis sedosos, geladeira frost free, tecidos que não amarrotam, serviços de entrega… tantas pequenas e grandes coisas que não existiriam se o ser humano não pensasse sempre em formas de garantir mais tempo e qualidade de ócio.

Como floresceriam a criatividade, o lazer e mesmo o romance se não houvesse no mundo lugar para a preguiça?

Quem pode negar o prazer revigorante de uma boa espreguiçada, seguida de um bocejo largo, de manhã cedo ou a qualquer hora do dia? Quem duvida da delícia que é virar para o lado e suspirar “só mais 5 minutinhos”, enrolando-se no lençol ou, melhor ainda, enroscando-se no companheiro, curtindo a dois a preguiça, num afago doce?

Não é gostoso olhar pela janela, ver o dia chuvoso, afundar num edredom quentinho e dizer “hoje não saio da cama”? Nesses dias é que surgem as idéias iluminadas, os grandes planos, as intuições para amanhã, ano que vem, daqui a dez anos. Você anota tudo, mas… não sai da cama. Somente aproveita a leveza dos pensamentos.

Vai me dizer que isso é pecado?

Pecado é viver a duzentos por hora. Pecado é pular da cama freneticamente, nem dar “bom dia”, engolir o café, tomar banho voando, vestir a primeira roupa da pilha, mal passar um batonzinho, enfiar-se no trânsito maluco, disputar cada minuto num duelo contra o próprio tempo, esse algoz implacável. Pecado é voltar pra casa estressada, engolir a comida – ou nem isso – e correr para o computador, tentando resolver os pepinos que ficaram para trás durante o dia, antes de apagar de exaustão e começar tudo de novo no dia seguinte.

Pecado é não ter meia hora para desacelerar, ver um desenho animado, ler uma revista de futilidades. Pecado é não se permitir deixar a louça na pia para brincar com o bicho de estimação, é não ter tempo para ouvir um CD inteiro apreciando uma boa taça de vinho. Pecado é não poder esticar um almoço com amigos, tomar uma caipirinha, jiboiar após a feijoada. Pecado é nunca deitar na grama ou na areia da praia, apenas deixando-se ficar, envolvendo-se em brisas, cores, sons e texturas.

Pecado é não saber desligar-se, sossegar o coração e a alma, bloquear as preocupações e, muito simplesmente, curtir o momento.

Se você ainda tem espírito e vontade para dedicar um momento à preguiça, jogando longe o relógio e ignorando a agenda, não está em pecado; está, sim, gozando de uma dádiva, uma riqueza ao alcance de todos e valorizada por uns poucos privilegiados. Sinta-se feliz, enlevada, realizada. Você gasta seu tempo com o que realmente importa.

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Lu Monte

Lu Monte adorava atari, papel de carta e livros. Hoje adora internet, seriados e livros (porque certas coisas não mudam). Escreve por vocação, tem mania de listas e guarda os cds em ordem alfabética.
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5 Comentários em “O Pecado da Preguiça”

  1. Lucia Freitas says:

    ÊÊÊÊ Este gato aí em cima mora aqui em casa.
    E pecado mesmo é não ler o que as Deusas escrevem

  2. Bender says:

    Ócio é uma coisa essencial nos dias de hoje.

    Aliás, sempre foi essencial.

  3. Jonny says:

    Que preguiça de ler esse texto… ZZZZzzzZZZZ

    re re re Brincadeira!!!

    Eu tenho uma teoria que a preguiça é gostosa quando você deixa de fazer alguma coisa que você não gosta…

    Por exemplo: é muito mais legal você ficar em casa sabendo que está acontecendo aquela aula chatissima e totalmente inútil na faculdade do que ficar em casa quando não tem aula…

  4. Santa Preguiça…… bjs

  5. Dizem, errado, que a necessidade é a mãe da invenção. Que nada. Se não fosse a preguiça, ninguém inventaria.
    Sendop assim, viva a preguiça!

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