Divã. Você vai ouvir pessoas comentando sobre este filme, especialmente mullheres. Isso se alguma amiga já não te convidou para assistir. É aquele tipo de filme especial que ganha público no boca-a-boca, naquelas boas conversas depois do almoço. E isso não é corporativismo meu, é mesmo um ótimo filme para se ver com amigas.

Baseado num ivro da escritora Martha Medeiros, Divã conta a história de Mercedes, uma mulher na faixa dos 40, professora de matemática, casada e com dois filhos adolescentes. Sua mãe morreu quando tinha nove anos e, para não dar trabalho ao pai, Mercedes nunca mais chorou. Mesmo com todo esse drama, o filme é essencialmente uma comédia que possui um paralelo com outro filme inglês lançado recentemente: Simplesmente Feliz .
Em Simplesmente Feliz, Poppy é uma professora de jardim de infância, que divide apartamento com uma amiga, adora roupas muito coloridas e salto alto. Depois de ter sua bicicleta roubada, decide ter aulas de direção e conhece Scott, o instrutor mais mau humorado que já se viu. Mercedes e Poppy não se parecem à primeira vista. O figurino de Mercedes é lindo e clássico, enquanto a risada de Poppy soa exagerada em vários momentos, porém o que as duas afirmam o tempo todo ao espectador é que o problema delas não é tristeza, fingimento, ou fuga da realidade, é excesso de felicidade. Cada uma a seu jeito encontrou uma maneira de viver os momentos, torná-los especiais, se sentir bem da maneira que é e que vive. O mais interessante dos dois filmes é observar as situações e sentimentos que as fazem repensar suas atitudes, seus sonhos e até mesmo questionar suas intensas felicidades. O grande trunfo dos filmes não é tentar ridicularizá-las em situações como idas a boates ou dores nas costas, é mostrá-las como personagens reais, que costumam absorver a tristeza dos outros, mas que estão sempre dispostas a serem otimistas e encontrarem maneiras de tocar a vida. Não do jeito mais fácil, mas do menos doloroso, rindo. O tempo passa e a vida continua com sua grande roda do destino.
Poppy é extremada demais para os mais sensíveis. Mercedes é uma companheira mais palatável, uma amiga com que tomaríamos um bom café toda semana. Poppy seria a amiga da balada. Outro ponto positivo dos dois filmes é que as duas tém grandes amigas, mostrando que a amizade feminina é uma dos melhores presentes que uma mulher pode ganhar da vida. Há mais personagens e cenas memoráveis que se entrelaçam, que representam o derramamento de sentimentos que as protagonistas tentam compreender. É um cabelereiro que declara ser emotivo ou uma professora de flamenco que ao explicar sobre os passos de dança se emociona e cai no choro. São extremos aos quais as protagonistas não chegam. Muitas vezes esperamos um surto, uma histeria, como se isso explicasse tudo, como se arroubos fossem um motivo real para colocar sonhos em prática. Não são. As protagonistas experimentam muito, não ficam estáticas esperando que tudo aconteça.
Mercedes e Poppy são duas ótimas personagens femininas que surgem nesse início de ano. Duas mulheres
que se consideram muito sortudas, por diversas razões. Esqueça os dramas, as tristezas, as culpas e a roupa para lavar. Todas erramos em alguns pontos, a grande maioria acredita no sonho do casamento, enquanto outras não temem em viver suas vidas de solteiras dançando até de manhã. A melhor mensagem dos filmes é que ninguém pode deixar de viver. Interessante, que nos dois filmes as personagens se relacionam com homens mais novos. Alguém teria um bom estudo ou palpite para me indicar sobre esse fenômeno tão comum? Se nada ainda lhe agradou, vá pelas ótimas atrizes Lília Cabral e Sally Hawkings, que ganhou o globo de ouro de melhor atriz pelo filme.
Recomendo com muitas exclamações que você assista Divã. Mercedes vai em busca de um psicanalista sem saber porque, sabendo apenas que sente algo que não está no lugar certo. Conhecendo aquela sensação feminina tão comum de que as coisas não estão tão bem como parecem. Minha sessão estava lotada de amigas que riam e se cutucavam cumplíces em várias cenas. Se você quiser fazer uma sessão dupla e também assistir Simplesmente Feliz, vá com a mente aberta, pois é uma comédia com sotaque e entrelinhas inglesas. A senhora na minha frente exclamou ao fim da sessão: “Que filme mais doido”. Ela parece não ter entendido que para Poppy a realidade realmente não interessa. Mas acima de tudo dê o primeiro passo, renove-se constantemente, pois quando a gente muda o mundo muda com a gente.
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Srta. Bia Escreve cartas, joga gamão, lê a sorte no danoninho e faz amarrações para o amor.
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Divã vem sendo mesmo muito indicado e elogiado. Parece um bom filme até para nós homens. Afinal de contas é uma visão do “misterioso” universo feminino.
Ta não vou comentar o post, mas como assim lê a sorte no danoninho?
kkkkkkkkkkkkkkkk
adooooro!