Eu penso muito no tempo. O passar do tempo, o tempo perdido, os velhos tempos, o tempo da alma, o tempo que falta. Principalmente, os tempos que não voltam mais.
O tempo não existe. É coisa da memória, que se conta em lembranças, vivências, horas líquidas que se cristalizam no horizonte distante. E eu vivo no tempo da memória, nos abraços, nos sorrisos, nas confissões entrecortadas e nas lágrimas silenciosas.
Não acredito que todo tempo passado foi melhor. Pois todo tempo inevitavelmente se torna passado, o melhor e o pior, o sofrido e o comemorado, as alegrias, as decepções, os sonhos desbotados e aqueles que se renovam; e a gente sobrevive.
O tempo passado se torna parte de nós. Coisa viva, orgânica, que se remexe nas entranhas; às vezes clamor, às vezes canto, muitas vezes silêncio. Pedrinhas coloridas que constroem o hoje, o eu, o sou. O tempo nos transcende, e ao mesmo tempo nos torna grandes, sábios, velhos, curtidos, cinzelados. Pedra bruta tornada em escultura vivente.
Para quem sabe olhar, o tempo é poesia fluindo. O passado se tinge de uma beleza melancólica; os momentos felizes se transformam em tesouros antigos, e as grandes dores são contadas como sagas épicas, cheias de batalhas sangrentas, lutas à morte e coragem impensada. Porque sobrevivemos.
Eu vivo no tempo da memória. Nessa terra estranha existe ainda um outro tempo; o tempo das lembranças que nunca existiram. Nesse tempo estão as lembranças que tenho de momentos preciosos; noites frias de lareira e vinho, à beira do fogo; dias de verão num povoado de pescadores, muito distantes da civilização. Quase posso ouvir o ruído do riso, o eco dos passos de caminhadas inexistentes.
E recordo especialmente uma noite de silêncio e escuridão; duas almas irmãs esperavam o amanhecer, embargadas de tristeza, aferradas à um fio de esperança e valor.
O amanhecer veio, outras noites escuras se sucederam. A vida continua como antes; dura, por vezes árida, muitas vezes triste, sempre difícil. Mas eu recebi uma benção; nesse terra, nesse tempo da memória, no alto da colina da tristeza, em meio à noite escura, havia alguém ao meu lado. Alguém que não vejo, mas que pressinto, percebo, presença fugaz e concreta; um amigo.
A vida continua como antes. Mas as sagas da memória descobriram um novo personagem: um mercenário, sacerdote, um guerreiro forte, pleno de humanidade e gentileza. As histórias desse guerreiro não serão esquecidas, porque o coração lembra; e conta essas histórias como lendas que a alma atesoura. As sagas da memória contam as histórias daqueles que fazem parte das terras míticas da alma.
A Deusa que reina naqueles lares abençoa tua chegada. Que o sorriso Dela ilumine teus dias; que a chuva de Suas lágrimas faça com que teus campos sejam sempre férteis. Que Ela te acolha em Seu seio quando precisares de consolo, e que Seus braços acalentem teus sonhos.
Que a Deusa abençoe teus passos sobre Seu solo sagrado. E lembra, quando te recolheres ao descanso, que não deves temer a escuridão; pois assim como é Luz, a Deusa é escuridão. És bem vindo e amado, e sempre estarás protegido nos domínios Dela.
Segue teu caminho. Com a cabeça erguida, com passo firme, com orgulho pelo que és.
Que sejas feliz!
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Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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Lendo seu texto me veio uma chamada de algum programa na MTV.
O músico (não lembro quem) falava algo do tipo “O futuro… … … é agora… … … … já foi!”
Sabe o que estou pensando a estas alturas? “Dezembro está nos meus calcanhares!” Pode rir, mas logo, logo cê vai ver como é verdade.