O Único Conselho

Uma conversa comigo mesma começou com a redescoberta deste texto: Amizade de Adolescente. A conversa continuou em A Amizade, Dezoito Anos Depois, e com A Tribo da Alma.

Eu tinha 14 anos. E a Nospheratt de hoje se pergunta: O que ela diria da minha casa? E de meus amigos? Das decisões que tomei, e de quem eu me tornei?

Que conselhos ela me daria?

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Ela está orgulhosa? Em partes. Há fracassos, falhas, medos, que só eu e ela conhecemos. E embora não esteja orgulhosa deles, ela compreende. E perdoa.

Ela queria ser escritora. E morar sozinha. Não sonhava com riquezas, mas com uma vida tranquila.

Escritora somos e sempre seremos, embora não do jeito que imaginávamos. Jamais moramos sozinhas, e hoje isso não nos interessa; ambas amamos a pessoa com quem dividimos nosso teto, nossa vida. Ainda não vivemos tão tranquilas como gostaríamos, mas temos fé de que chegaremos lá. Um dia.

Ela acha ruim que eu tenha abandonado o artesanato, e que eu invista tão pouco tempo escrevendo coisas criativas. Os blogs são ótimos, mas a nossa escrita costumava ser mais que nada um exercício artístico, poético; e ela pergunta: onde ficou isso? E o artesanato, tantas horas boas passamos entre tintas, papéis, tecidos, gesso… Onde ficou isso?

E não tenho resposta. Claro que se o tempo não chega nem para cumprir compromissos e obrigações, difícil encontrar tempo para “coisas artísticas”… E no entanto, essas coisas eram (são?) importantes para nós. Talvez seja hora de encontrar tempo para a alma…

E ela não entende porquê, agora que posso sair todas as vezes que me der na telha, saio tão pouco. O que aconteceu?

Preguiça, frio, cansaço… A lista de desculpas é enorme. Principalmente no Inverno, que por estas bandas não é nada fácil. Mas não posso deixar de me perguntar, será que passar tanto tempo “entocada” não é prejudicial para nós? Será que nosso humor não se beneficiaria de mais tempo fora de casa, fora de quatro paredes?

Da janela, o tempo cinza e chuvoso me acena.

A questão é que eu não sou mais uma menina de 14 anos, e jamais voltarei a ser. Não me sinto velha – cumprir 32 anos não fez a menor diferença – mas definitivamente não tenho mais a energia e a disposição da adolescência. Chame-se amadurecimento, envelhecimento, aprendizado, não importa. Eu cresci.

Ninguém me avisou que eu não teria 14 anos a vida toda. Ninguém me disse que um dia eu acordaria, e veria o mesmo rosto no espelho, mas tudo teria mudado. Que eu seria completamente diferente, e exatamente a mesma. Eu não sabia, mas isso já não importa.

O que importa, é que nós chegamos até aqui. Com novas e antigas cicatrizes, um pouco (talvez muito) mais sofridas, mas vivas.

E embora quiséssemos que a vida tivesse sido menos dura, temos orgulho de quem nos tornamos.

Conselhos? O único conselho, o mesmo de sempre, aquele que nos trouxe até aqui: tenha fé sempre que possível, e não desista jamais. Quando tudo mais falhar, conte comigo.

Imagem: DaEllis

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Nospheratt

Nospheratt é mulher por nascimento e vocação, irônica por diversão e hobby, brasileira inveterada, filósofa nas horas mais impróprias, blogueira de profissão, escritora e poeta pela pura necessidade de expressar seus oceanos interiores.
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Um Comentário em “O Único Conselho”

  1. Jéssica says:

    Muito bom! eu, com meus 16 anos, acho que sentirei o mesmo com 32! Exceto pela facilidade de me expressar…

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