Diz num livro intitulado “Las Coplas de Manrique”: “…como ao nosso parecer qualquer tempo passado foi melhor…”

Hoje lembrando da minha meninice e adolescência, essa frase realmente fez algum sentido.
Penso no que deveriam ser grandes acontecimentos nos dias de hoje e vejo que eles perderam sua importância por terem sido banalizados.
Antigamente o dia de sair à noite era o Sábado; isso gerava uma grande expectativa durante a semana, e à tarde nesse dia viviam-se os preparativos da melhor noite da semana: arrumar o cabelo, pintar as unhas, escolher e preparar a roupa, passar as camisas no caso dos homens, fazer a risca das calças, escovar o paletó, e coisas do estilo.
Os aniversários de 15 anos, ir dançar no clube, o casamento dos amigos… Tudo tinha um sabor diferente, a vida era intensa pois nada tinha sido banalizado ainda, nem havia a possibilidade de sair outra noite na semana, porque somente o Sábado estava reservado para estes grandes acontecimentos; acontecimentos que eram “grandes” por esses motivos.
E que dizer do Domingo?
Ah! O Domingo!
O almoço de Domingo era sempre diferente e especial, diferente das comidas triviais da semana; não lembro bem das comidas de Domingo, mas lembro da minha mãe sovando a massa para os pastéis de doce de marmelo, numa robusta mesa de madeira.
Esse era o “ritual” da manhã de Domingo antes dos preparativos do almoço, pois eles seriam a sobremesa nesse dia tão especial.
Não lembro da comida do Domingo, mas nunca esqueci daquela grande bateia vermelha cheia de pastéis, incontáveis pastéis, não 12 nem 24; não dava para contar porque a massa não havia sido comprada no supermercado em pacotes com o número de quantos tinha neles.
As rodinhas iam surgindo no meio de uma mesa cheia de farinha de trigo, embaixo de um caneco de metal.
Acho que tudo isto veio à minha mente por causa da celebração de Ostara, no Equinócio da Primavera, e penso que gostamos e nos sentimos bem nestas celebrações porque elas são especiais, têm data específica para acontecer e um profundo significado por estarem intimamente relacionadas com os ciclos da Natureza.
Não sei bem como começou este escrito, mas sei como termina: com uma grande saudade de coisas com significado!
Imagem: Circo de Invierno
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Debora Rocco é uma Sacerdotisa da Deusa.
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Debora juro que ao ler seu post, um arrepio me passou pela espinha. Você colocou sentimento e espirito, me fez lembrar de partes felizes da minha infância.
Muito obrigado, simplesmente amei!