
Atena, austera e forte.
Atena nasceu da cabeça de Zeus, já adulta e armada. Era venerada como deusa da inteligência, da sabedoria, dos ofícios e da estratégia. Deu aos homens a oliveira, inventou a flauta, a cerâmica, as embarcações e outras tantas coisas úteis ou prazerosas. Ensinou-os a contar, caçar, costurar e dançar.
Um de seus vários nomes é Athena Parthenos, ou Virgem Atena. Não tinha interesse em aventuras sexuais e pediu aos deuses olímpicos que jamais permitissem que ela se apaixonasse, pois não queria abandonar seus múltiplos afazeres para cuidar de uma família.
É a típica filha do pai, não só pelo seu nascimento, mas por tudo que sempre escolheu fazer. Embora prendada, não tinha pendor para a vida doméstica. Saía-se bem em assuntos tipicamente masculinos. Não cultivava relacionamentos femininos de qualquer espécie.
A Atena que habita em mim é forte e dominante. É nela que repouso, é ela quem me dá o norte. Ela me protege com escudo e armadura. Em troca da sua fortaleza, quer totalidade. Não deixa espaço para outras deusas. Somente Atena pode ocupar o lugar mais alto do pódio. Só pode haver uma vencedora.
Você poderia pensar “mas que deusa arrogante e autoritária!”. Não é nada disso. Atena simplesmente responde: “Eu sou. Eu basto. Eu dei aos homens abrigo, alimento e óleo. Ensinei-lhes habilidades e não esqueci de lhes conferir o lazer. Eu basto.”
Aceitei esse reinado exclusivista durante anos. Sentia-me confortável nele. Na verdade, todas as vezes em que resolvi enveredar por outros caminhos, o resultado foi desagradável.
Hoje, mais madura e segura, vejo que meu desafio é conciliar Atena com outras deusas arquetípicas. Não que me preocupe em equilibrá-las todas, longe disso. É só que há um tanto de Artêmis que aflora e pede espaço para interagir com outras mulheres, porque o universo feminino é rico, profundo, merecedor de atenção e respeito. Também existe uma parte de Héstia que pede mais cuidados com o interior da casa, da alma.
Na maior parte do tempo, porém, Atena está certa ao dizer que basta para mim.
O grande problema é que ela é uma deusa exigente. E ando em falta há um bom tempo.
Imagem: Eddi 07. Creative Commons.
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…e no início era a Deusa…
Impressionante como uma deusa que se basta pode ser doce e colaborativa.
Doce, sincera, até mesmo meiga. Que ninguém se deixe enganar pela armadura. Embaixo bate um coração lindo e forte.
Traço comum às “deusas virgens”, parece…
bj enorme
Nossa!
Essa poderosa e inteligente deusa realmente é muito exclusiva, porisso, quando somente ela impera, o mental nâo dá lugar para o corpo que Ártemis e Afrodite tanto precisam.
Penso que o munda das idéias, planejamento e elocubrações lhe basta…
Ça, c’est le probleme…ah!!!