Ontem a noite não se estrelou, e sobrou apenas um céu profundo e escuro; a Lua não apareceu, mas o Sol brilhou num momento inadequado quebrando os tempos e destruindo os mundos.

Olhe o que deixei você fazer-me!
Olhe nos meus olhos e veja os rastros da cachoeira que a Lua derramou em meu rosto!
Ontem pela manhã eu estava embriagada de preguiça e não deixei que a Vida me arrastasse em sua brincadeira – pensei eu – mas Ela tinha outros planos para mim e à noite Ela assumiu como sua forma meu amado Oculto, e brincou comigo somente para me mostrar…
O quê???
Que Ela é uma Mestra muito rigorosa e não tolera falhas em seus alun@s; e você (que pena!) foi quem ganhou, na verdade perdeu o maior espetáculo com o qual a Mestra pode lhe agraciar:
Uma Noite de Lua Cheia!
À Luz do Luar
Os dois reprovamos a lição!
Os dois perdemos!
Perdemos porque ninguém ganha quando não entende a brincadeira da Vida, quando não nos damos a mão, quando não nos abraçamos em nossa dor e dizemos: Te Amo!
Ninguém ganha quando um ser devora o outro, e ontem… ontem você me devorou!
Não quis nutrir-se de mim, não quis “dançar à Luz do Luar”, preferiu tocar seu próprio tambor, e ser índio, ser selvagem, cruel e impiedoso com a Lua que ilumina seu céu todos os dias, arrancando-a do seio das estrelas para devorá-la num festim macabro.
E o que resta disso, meu Amor?
Resta um gosto amargo de solidão e separação, uma separação que mantêm o Sol na Terra e a Lua no Céu.
Mas você quer ser Sol, e o quer porque não entende a noite e o brilho prateado de que tanto precisa; ser um Sol que é amo e senhor do mundo mas que jamais conquistará o Céu, a não ser que se renda diante dos “encantos da Lua Cheia”.

Sua vida corre num torvelinho de emoções insanas, emoções descontroladas que você não entende, que não quer entender, que não irá entender porque você tem seu próprio tambor e “baila” sua própria musica num ritmo que não admite nem Luas, nem estrelas nessa dança tenebrosa.
Minhas mãos tocam as estrelas e libertam borboletas em terras distantes; minhas mãos cheias de Luas, sombras e fulgores prateados pintam a natureza com matizes que você não quer ver.
Minhas mãos carregam a cor das Sacerdotisas como um tributo á Mãe Terra, desenhando encantos e melodias cósmicas que seu coração quer escutar, mas contra as quais se rebela numa insana tentativa de dominar a Lua, e mantê-la presa na terra para poder devorá-la e saciar assim o seu vazio existencial.
Imagem: all-i-oli
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Debora Rocco é uma Sacerdotisa da Deusa.
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