Uma Gripe, Uma Canção e Um Pensamento

Escher, Hands

Escher, Hands

Esta semana, estou prejudicada. Caí vítima de uma gripe bem forte, cujos sintomas são coriza (muita) tosse com catarro transparente (tenho mais medo deste do que do verdão) e dores pelo corpo. Com o “sofrimento” vem a certeza de que chegou a hora de parar por um segundo enquanto sigo cumprindo os “deveres”… Sabem aquele momento em que você desempenha sem pensar, por instinto? Então…

A canção da vida, entretanto, segue tocando. Ela chega a mim em forma de girafinha, gatinhos, sorteio, escritos, um disco maravilhoso que me chegou pelo correio … e afazeres que não podem ficar para a próxima semana. E, numa madrugada, eis que surge em minha caixa de entrada com a pergunta: Por que você escreve?, cortesia do informativo do Digestivo Cultural.

Nem importa o bom texto que acompanhou a pergunta. Parei no ato. Afinal, respeitar e aceitar o fluxo é algo vital e nutritivo. Parei para pensar no quanto escrevo. Onde escrevo. Neste exato instante esta blogueira participa, com mais ou menos ação de oito (sim, oito) blogs – sem contar o que escrevo para terceiros –, organizo eventos e, como diria minha avó, “adoro inventar uma moda”.

O resultado é que tenho que ler e escrever muito. E eu escrevo porque gosto. É uma das coisas que faço relativamente bem, apesar de cometer eventuais assassinatos (não-dolosos) à língua. Escrever, para mim, é como respirar. Eu escrevo no computador, à mão, às vezes imagino histórias que ficam pela metade. Tenho cadernos e cadernos com a minha caligrafia mutante, recheados de pensamentos, sonhos, idéias deixadas para trás. Dos bloquinhos eu nem vou falar. Tenho montes e uso vários simultaneamente. Na bolsa, hoje, existem dois moleskines.

Esta Sob Fogo é para parar e pensar. E também deve ficar um tanto errática, por conta do meu estado físico.

Quando fiz o primeiro blog (sem link, sem link), em 2003, precisava muito colocar fora de mim um encontro. Foi o mesmo ano em que conheci a Margaret Chillemi e me afundei nas profundidades do afeto, dos encontros, dos efeitos que temos uns sobre os outros.

Depois veio o blog meio diário, meio caderno de anotações. Com ele, cheguei onde queria: uma roda, pessoas que conversavam, se encontravam, se conheciam, se comentavam. Eu já não era mais repórter, muito menos jornalista, estava em meio a uma mudança profunda de texto, de estilo, de vida. Eu segui o fluxo, como sempre fiz em minha vida. Isso aconteceu há quatro anos atrás.

Nunca imaginei, por um segundo, que eu tivesse a menor importância para o universo. Nem que meus escritos – erráticos, tantas vezes – significassem algo para terceiros. Escrevo porque preciso respirar. E, às vezes, só às vezes, estes escritos fazem algum sentido para alguém.

Esta é a graça e a grandeza da vida – online e offline. Nem tudo nos toca, nem tudo faz sentido. Mas tudo, absolutamente tudo, precisa existir. Se existe, há uma razão. Se não faz sentido para você, fará para o vizinho ou talvez para um dekassegui que está no Japão. E destes sentidos disparados e à solta é que se trama a vida, na web e fora dela, e o futuro.

O que nos aguarda, todos sabemos. Inefável e doce, silenciosa e quieta. Eterna. Importa, de verdade, o caminho. Porque o começo e o fim são idênticos para todos nós. A verdadeira pergunta, no fim, não é POR QUE alguém escreve. A pergunta que não quer calar é: como o que você escreve afeta quem te lê.

E isso, minha gente, é absolutamente pessoal e intransferível. Cabe a quem lê dizer.

Digam. Para isso servem os comentários.

P.S. A canção eu ganhei de presente num dia triste. É linda, linda, linda.

© Deusario.com. Todos os direitos Reservados.
A cópia e reprodução não-autorizada deste texto está expressamente proibida.
Plágio é CRIME!

Lucia Freitas

Lucia Freitas Mulher, blogueira e jornalista. Escreve muito. Seus assuntos preferidos? Quase tudo. Adora uma boa discussão, conversar com amigos, novidades, gadgets.
| Mais Lucia Freitas | Todos os textos escritos por

Receba atualizações por email!
Digite seu email:

tabs-top

2 Comentários em “Uma Gripe, Uma Canção e Um Pensamento”

  1. Lu Monte says:

    Aí é que está: todo mundo tem importância para o universo, independentemente do que pensamos, se reconhecemos a nossa própria importância ou não. Se a gente não acredita nisso, a vida perde o sentido.

    Já falei que adoro Escher? :)

  2. Srta. Bia says:

    Estava louca para ler esse texto, mas não queria fazê-lo correndo. Agora, no horário do cafezinho, o bom Deus do sysadmin liberou o Deusario e tô aqui quietinha, sexta fim de tarde, ninguém olhando.

    O mais lindo é perceber como o seu texto, a sua arte de escrever faz parte do seu desenvolvimento, da sua vida. O seu texto diz muito de quem você é. E diferentemente de outras pessoas, o seu texto tem um significado pessoal muito grande, pois ele se relaciona com o seu momento.

    E ao contrário do monstro citado lá no texto do Digestivo, imagino que você escreva apenas por que é algo que sabe fazer bem, porque é natural. E dentro dessa questão do sentido e da vida e da importância da existência existe o tempo. Porque hoje isso teve importância para mim, ano passado talvez não tivesse. Ótimo texto, Lu.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Ler e escrever. | Groselha News - [...] Escrevo apenas porque acho bonito ver surgir letras, ver aparecer palavras e significados. Há um mundo mágico num simples ...

Deixe seu comentário!

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>